Capítulo 23 – Os romanos derrubam com suas máquinas uma torre do segundo muro da cidade. Ardil de que um judeu de nome Castor se serve para enganar Tito.
Tito ordenou que se dirigisse o aríete para o meio da torre que está do lado do norte e ao mesmo tempo mandou atirar tantas flechas, que os que a defendiam, abandonaram-na, exceto um judeu de nome Castor, homem muito astuto, e dez outros com ele. Ficaram durante algum tempo debaixo das capas, sem se mover; quando perceberam que a torre balançava, Castor estendeu os braços a Tito e rogou-lhe com voz comovida que os perdoasse. O príncipe, cuja extrema bondade tornava-o fácil a se comover, acreditou naquelas palavras e na persuasão de que os judeus estavam arrependidos de se terem envolvido naquela guerra, ordenou que detivessem o trabalho dos aríetes, proibiu que se atirasse contra Castor e seus companheiros, e permitiu-lhe dizer o que desejava: Respondeu ele que queria chegar a um acordo. Tito respondeu-lhe que fá-lo-ia de boa mente e que se todos os outros eram do seu parecer, ele estava pronto a fazer a paz. Cinco dos que estavam com Castor fingiam ter as mesmas idéias e os outros cinco clamavam que queriam morrer antes que ficar escravos dos romanos. Durante essa discussão os romanos não atiravam mais e haviam cessado o trabalho dos aríetes. Castor, então, mandou dizer a Simão o que se estava passando, a fim de que ele pudesse aproveitar-se disso, enquanto continuava a enganar Tito e a fingir tentar persuadir seus companheiros a querer a paz. Eles, por seu lado, para confirmar a dissimulação, clamavam que não podiam tolerar tais palavras e depois de se terem dado golpes de espadas, mas somente sobre as armas, atiraram-se ao chão como se tivessem morrido.
Tito e os que estavam com ele viam o que se passava, lá debaixo, e assim não podiam ter uma idéia da realidade e se admiravam do excesso do furor e da obstinação dos judeus e deploravam-lhes a desgraça. Castor foi ferido no rosto por uma flecha, retirou-a, mostrou-a a Tito, queixando-se severamente por lha terem atirado. O príncipe mostrou desaprovar o ato e disse a Josefo, que estava perto dele, que lhe fosse tocar a mão como penhor de sua palavra, mas este pediu-lhe que lho desculpasse, porque estava certo de que tudo aquilo era falso e fez também que seus amigos, os quais se ofereciam para fazê-lo, não o fossem também. Um judeu de nome Enéias, daqueles que se haviam entregues aos romanos, ofereceu-se para ir e Castor disse-lhe que levasse algo com que receber o dinheiro que lhe queria dar. Estas palavras aumentaram o entusiasmo de Enéias e para lá ele correu; quando estava perto de Castor, este atirou-lhe uma pedra; ele evitou-lhe o golpe e um soldado que vinha atrás dele ficou ferido. Tão grande embuste fez ver a Tito que a compaixão é prejudicial, na guerra, e que para se agir com segurança é necessária a severidade. Ordenou, então, encolerizado, que se recomeçasse o trabalho com os aríetes e mais fortemente do que antes; Castor e seus companheiros, vendo, então, a torre prestes a cair, incendiaram-na e lançavam-se pelas chamas sobre as abóbadas que estavam em baixo. Os romanos julgaram que eles não tinham medo de se queimar e admiraram-lhes a coragem.
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