Capítulo 7 – Festo sucede a Félix no governo da Judéia. Os habitantes de Cesaréia obtêm do imperador Nero a revogação do direito de burguesia que os judeus tinham naquela cidade. O rei Agripa manda construir um edifício de onde se via o que se passava no Templo. Os de Jerusalém mandam fazer um muro muito grande para impedi-lo e obtêm do imperador que o mesmo seja mantido.

Pórcio Festo fora mandado pelo imperador Nero para substituir Félix, no governo da Judéia; os judeus de Cesaréia mandaram embaixadores a Roma, para acusar Félix e ele teria sem dúvida sido castigado pelos maus tratos que havia infligido aos judeus, se Nero não lhe tivesse perdoado a pedido de Pallas, seu irmão, que então gozava de grande prestígio junto dele. Dois dos princi­pais sírios de Cesaréia conquistaram, por meio de uma grande soma de di­nheiro, Berilo, que tendo sido preceptor de Nero, era então seu secretário para a correspondência grega e, por seu meio, obtiveram uma carta, pela qual era revogado o direito de burguesia de que os judeus gozavam igual­mente com os sírios em Cesaréia. Pode-se dizer que essa carta foi a causa de nossos males e da nossa infelicidade, pois os judeus de Cesaréia, ficaram tão irritados que se exasperaram ainda mais e essa perturbação não cessou, até que se transformou em guerra.

Quando Festo chegou à Judéia, encontrou-a num estado deplorável, pelos males que aqueles ladrões causavam. Pilhavam e incendiavam tudo; dava-se o nome de Sicários aos mais cruéis dentre eles, cujo número era bem grande porque eles usavam espadas curtas como as dos persas, e recurvas, como punhais que os romanos chamam de siques. Espalhavam crimes por todos os lugares, misturando-se, como dissemos, nos dias de festa, com o povo que vinha de todas as partes a Jerusalém; por devoção, matavam impunemente a quem lhes parecia. Atacavam mesmo as aldeias daqueles que odiavam, saqueavam-nas e as incendiavam.

Um impostor, que tinha o ofício de mago, levou grande quantidade de homens com ele, para o deserto, prometendo livrá-los de toda a sorte de males. Festo mandou contra eles a cavalaria e a infantaria, que os dizimaram.

O rei Agripa mandou então construir um grande edifício perto do pórtico do palácio real de Jerusalém, que era obra dos príncipes asmoneus; como aquele lugar era muito elevado, o panorama era belíssimo, pois de lá se descortinava toda a cidade e Agripa podia haver, do seu quarto, tudo o que se fazia no interior do Templo. Os chefes de Jerusalém ficaram muito descon­tentes com isso, porque nossas leis não permitem ver o que se passa no Tem­plo e, principalmente, no momento dos sacrifícios. Para impedi-lo, eles man­daram construir acima das muralhas que estavam na parte interior do mes­mo, do lado do ocidente, um muro tão alto que nada mais se podia ver, do quarto do rei, não somente o que estava em frente, mas também nas galerias, de fora do Templo, do lado do ocidente, onde os romanos montavam guarda nos dias de festa, para a conservação do Templo. Agripa ficou muito ofendi­do, e Festo, ainda mais. Ele ordenou-lhes que, derrubassem o muro, mas os judeus rogaram-lhe que permitisse recorrer ao imperador, porque a morte lhes seria mais suave do que ver destruir-se uma parte do Templo. Ele lhes permitiu; foram então mandados a Roma, dez dos mais ilustres habitantes, com Israel, sumo sacerdote, e Cheléas, guarda do sagrado tesouro. Nero es­cutou-os e a imperatriz Popéia, sua mulher, que era piedosa, empenhou-se em seu favor; perante o marido, não somente lhes perdoou o que haviam feito, mas concedeu-lhes que o muro, que tinham feito construir, fosse con­servado. A princesa mandou regressar os dez embaixadores e reteve como reféns somente Cheléas e Ismael. O rei Agripa deu em seguida o sumo sacer­dócio a José, cognominado Caby, filho de Simão, sumo sacerdote.

Comentários

Tão vazio aqui... deixe um comentário!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Barra lateral