Capítulo 24 – Aqueles que eram chamados de sicários ou assassinos, apoderam-se da fortaleza de Massada e praticam mil depredações.

A estes três tão grande males de que acabamos de falar, juntou-se um quarto que também contribuiu para a ruína de nossa pátria. Havia perto de Jeru­salém um castelo bastante forte, de nome Massada, que nossos reis tinham ou-trora mandado construir, para lá guardarem seus tesouros, muitas armas e tam­bém para segurança de suas pessoas. Os sicários, ou assassinos, não eram em número tal que os levasse a cometer seus crimes abertamente, por isso matavam à traição; apoderaram-se dessa fortaleza e vendo que o exército romano estava em descanso, e que os judeus se digladiavam em Jerusalém, imaginaram empre­ender coisas em que jamais haviam pensado, nem ousado fazer. Assim, na noite da festa de Páscoa, tão solene entre os judeus, porque se celebra em memória da sua libertação da escravidão do Egito, para ir tomar posse da terra que Deus havia prometido aos nossos antepassados, esses assassinos atacaram de improvi­so a pequena cidade de Engedi antes que os habitantes tivessem tido tempo de tomar as armas, mataram mais de setecentos deles, dos quais a maior parte eram mulheres e crianças, saquearam todas as casas e levaram todos os despojos para Massada. Trataram do mesmo modo todas as aldeias e todas as vilas dos arredo­res; seu número crescia cada vez mais e não havia um lugar sequer na Judéia que não estivesse naquele tempo exposto a toda sorte de depredação. Como aconte­ce no corpo humano, quando a parte mais nobre é atacada por uma grave enfer­midade, todas as outras também se ressentem, assim essa horrível divisão que tinha reduzido a tal extremo a capital, abrindo as portas à licença, havia feito que o mal se espalhasse por toda a parte; nada havia que aqueles celerados não julgassem poder fazer, impunemente. Após terem devastado tudo o que estava perto deles, retiraram-se para o deserto, onde, depois de se terem reunido em grande número para formar, se não um pequeno exército, pelo menos um ban­do considerável de ladrões, atacaram as cidades e os Templos. Aqueles aos quais faziam tanto mal não os poupavam quando podiam agarrá-los, mas lhes era muito difícil, porque eles fugiam imediatamente, com os despojos conquistados. Assim, podia-se dizer que não havia um lugar sequer na Judéia que não partici­passe dos males que faziam Jerusalém perecer.

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