Capítulo 19 – Os sitiados atiram tanto óleo fervente sobre os romanos que os obrigam a desistir do assalto.
Em tão extremo perigo, o desespero fez josefo cogitar um novo meio de defesa. Mandou atirar sobre a temível tropa romana óleo fervente; como os sitiados tinham-no em grande quantidade, executaram a ordem e começaram a atirar, até mesmo caldeiras e baldes cheios. Aquele dilúvio ardente dividiu a tropa que parecia inseparável e viam-se cair os romanos, contorcendo-se, porque o líquido que se esquenta facilmente, demora muito para se esfriar, por causa da umidade untuosa, e que se espalhando sobre eles, da cabeça aos pés, através das mesmas armas, devorava-lhes a carne, como uma chama, a mais viva e penetrante; eles não podiam deixar as armas, para fugir, porque as couraças e os capacetes estavam atados, nem se retirar, rapidamente, quando necessário, para evitar perecer daquele modo. A grande dor que sentiam, fazia-os cair do alto das pontes e de várias maneiras e os que procuravam fugir eram detidos pelos dardos atirados pelos judeus, que os perseguiam.
No meio de tantos males, ao mesmo tempo, nem os romanos perderam a coragem, nem os judeus faltaram à prudência. Os romanos, embora torturados por dores horríveis, esforçavam-se para avançar contra os que lhes atiravam óleo, e os judeus, para deter o ímpeto, empregaram ainda outro meio: espalharam sobre as pontes feno grego, cozido, que as tornava tão escorregadias, que eles não podiam ficar de pé e caíam confusamente uns sobre os outros; alguns, vinham abaixo onde os judeus, que não tinham mais inimigos pela frente, matavam-nos a dardos. Muitos romanos perderam a vida ou ficaram bem feridos nesse combate, a vinte do mês de junho, e Vespasiano, naquela mesma noite, fez tocar a retirada. Os sitiados perderam somente seis homens, mas tiveram mais de trezentos feridos.
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