Capítulo 33 – Silva ataca Massada e começa a bater nos muros. Os judeus constróem um segundo, com vigas e terra entre os dois. Os romanos incendeiam-no e preparam-se para dar o assalto no dia seguinte.
Depois que Silva construiu este muro, que cercava totalmente os judeus em Massada, começou o ataque à praça. Achou somente um lugar que se podia encher de terra. Além da torre, que fechava o caminho do lado do ocidente, pelo qual se ia ao palácio e ao castelo, havia uma rocha maior do que essa, sobre a qual estava construído o castelo, chamada Leuce, isto é, branco; porém, mais baixa trezentos côvados. Depois que Silva dela se apoderou, fez levar terra por cima, por meio dos seus soldados e eles nisso trabalharam com tanto entusiasmo, que ergueram uma massa de cem côvados de altura, mas porque esta plataforma não parecia bastante firme e sólida para sustentar as máquinas, Silva mandou construir em cima, com grandes pedras, uma espécie de cavalete, que tinha cinqüenta côvados de altura e outros tantos de largura. Além das máquinas ordinárias, havia também outras que Vespasiano e Tito tinham inventado, e ergueu-se ainda sobre esse cavalete uma torre de sessenta côvados toda coberta de ferro, de onde os romanos lançavam sobre os judeus, tantos dardos e pedras, com suas máquinas, que eles não tinham mais coragem de aparecer nas muralhas. Mandou depois o comandante construir um grande aríete com o qual batia sem cessar no muro, mas com dificuldade conseguiu abrir uma pequena brecha; os judeus construíram com incrível presteza um outro muro, que não temia os esforços das máquinas, porque não sendo de uma matéria resistente, amortecia-lhes os golpes, cedendo-lhes à violência. Esse muro era construído com essa matéria. Puseram duas fileiras de grossos caibros encaixados uns nos outros; o espaço que havia entre eles tinha tanto de largura quanto o muro; encheram esse espaço de terra e para que não se movesse sustentaram-no com outros pedaços de madeira. Assim, parecia que aquele muro era um grande edifício; os golpes das máquinas não somente se amorteciam, mas amassavam e tornavam ainda mais firme e sólido o bloco de terra, que era argilosa. Silva, depois de ter considerado bastante esse trabalho, achou que somente por meio do fogo poderia destruí-lo e mandou que os soldados lhe atirassem uma grande quantidade de madeira em chamas. Como aquele muro era quase todo também de madeira e havia bastante espaço entre ambos, o fogo ateou-se em seguida; chegou às planícies e surgiu aos poucos uma grande labareda. O vento do norte que soprava então a impeliu contra os romanos, com tanta violência que eles perderam a esperança de poder salvar suas máquinas. Mas, como se Deus se tivesse declarado em seu favor, o vento mudou de direção de repente e começou a soprar outro, do lado do sul, que, fazendo as chamas voltarem para o lado do muro, de tal modo aumentou o incêndio que ele ficou destruído de alto a baixo. Os romanos favorecidos com esse auxílio de Deus, voltaram com grande alegria ao seu acampamento, dando gritos de alegria, com a intenção de dar o assalto no dia seguinte ao alvorecer, redobrando a vigilância durante a noite, para impedir que os judeus escapassem.
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