Capítulo 28 – Cesênio Peto, governador da Síria, acusa Antíoco, rei de Comagena, de ter abandonado o partido dos romanos e persegue muito injustamente esse príncipe. Mas Vespasiano trata-o, e também aos seus filhos, com muita bondade.

No quarto ano do reinado de Vespasiano, Antíoco, rei de Comagena, sofreu, com toda sua família, o revés de que vou falar. Cesênio Peto, governador da Síria, quer por ódio a este soberano, quer porque fosse verdade, escreveu ao imperador, dizendo que Antíoco e Epifânio, seu filho, tinham abandonado o partido dos romanos, para abraçar o dos partos, e se não se impedisse, eles ateariam uma guerra que perturbaria todo o império. A proximidade desses dois reis tornava sua união mais temível e Samosata, a maior cidade de Comagena, estava situada sobre o Eufrates, e dava ao rei dos partos a comodidade de passar e tornar a passar facilmente o rio; Vespasiano achou que não devia desprezar um aviso tão importante, ao qual prestava fé. Assim, mandou Peto fazer o que jul­gasse conveniente; este, não perdeu tempo para usar do poder. Entrou em Comagena com a décima legião, algumas coortes e as tropas auxiliares de Aristóbulo, rei da Cálcida e de Soheme, rei de Emeso. Foi-lhe fácil vencer Antíoco, porque não tendo idéia de que havia sido acusado, não tinha outrossim a menor suspeita e como sinal de sua fidelidade, saiu da capital com sua esposa e filhos e foi acampar a cento e vinte estádios, numa planície. Peto tornou-se sem dificul­dade senhor de Samosata, para lá mandou uma guarnição e perseguiu Antíoco. Tão grande, tão injusta violência não foi capaz de levar esse príncipe a tomar as armas contra os romanos; mas Epifânio e Calínico, seus filhos, que eram jovens e muito valentes, julgaram que lhes seria vergonhoso perder assim o reino sem tomar a espada. Reuniram o que puderam de seus soldados, travaram um gran­de combate e demonstraram tanta coragem que perderam poucos homens. Esse bom resultado, embora favorável a Antíoco, não o fez, porém, resolver-se a ficar; ele fugiu para a Cilícia com sua esposa e suas filhas; sua ausência fez seus solda­dos perderem toda a esperança de poder conservar o reino que ele mesmo havia abandonado e, assim, passaram para o lado dos romanos. Os dois irmãos, nessa extrema contingência, atravessaram o Eufrates acompanhados somente por oito cavaleiros, para se refugiarem junto de Vologeso, rei dos partos; este príncipe, em vez de desprezá-los, em sua infeliz sorte, recebeu-os com não menor honra do que se eles ainda estivessem gozando de toda prosperidade. Quando Antíoco chegou a Tarso, na Cilícia, Peto mandou um oficial detê-lo, com ordem de levá-lo acorrentado a Roma. Vespasiano não tolerou que se tratasse a um rei tão in-dignamente. Julgou melhor relembrar sua antiga amizade, do que se deixar levar pelo ressentimento, ante a ofensa que estava persuadido ter recebido dele e que tinha dado motivo àquela guerra. Mandou então que lhe tirassem as cadeias, sem obrigá-lo a continuar a viagem e que ele ficasse na Lacedemônia, onde estipulou uma grande quantia, para suas despesas, a fim de que ele lá pudesse viver como rei. Tão gentil tratamento não somente tirou Epifânio e seus parentes da extrema apreensão em que estavam, pelo pai, mas fê-los mesmo esperar re­conquistar as boas graças do imperador, o que eles desejavam ansiosamente, porque não se podiam julgar felizes estando mal com os romanos. Vologeso escreveu em seu favor a Vespasiano, que lhes permitiu, com muita bondade, vir a Roma. Seu pai também para lá foi, logo depois; e enquanto lá permaneceram sempre foram tratados com grande honra.

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