Capítulo 33 – Simão, ante uma acusação falsa, manda matar o sumo sacerdote Matias, o qual fora causa de que ele fosse recebido em ferusalém. Horrível crueldade que ele acrescenta a tão grande desumanidade. Manda ainda matar a dezessete outras pessoas da nobreza e põe na prisão a mãe de Josefo, autor dessa história.

Simão, depois de ter torturado desapiedadamente o sumo sacerdote Matias, ao qual devia o favor de ter sido recebido na cidade, mandou matá-lo. Matias era filho de Boeto e era o sacerdote que mais afeição tinha ao povo e que por ele era o mais amado. Assim, vendo com que crueldade João o tratava, ele o havia persuadido a receber Simão, para ajudá-lo contra ele, sem nada estipular a Simão em particular, porque julgava nada ter que temer de um homem que lhe devia tão grande favor. Mas quando esse ingrato se viu senhor da cidade, em vez de distingui-lo dos demais que lhe eram inimigos, atribuiu à simplicidade o con­selho que tinha dado de se lhe abrirem as portas e fê-lo acusar de estar de acordo e de mãos dadas com os romanos, condenando-o assim à morte, bem como a três de seus filhos, sem nem ao menos permitir-lhes que se justificassem e se defendessem. O único favor que esse venerável ancião pediu ao tirano, como recompensa pelo favor que lhe tinha prestado, foi de fazê-lo morrer por primei­ro. Mas esse bárbaro mais feroz que o próprio tigre, recusou-lho. Assim, depois de terem interrogado seus filhos, na sua presença, misturaram seu sangue com o deles, à vista dos romanos: Anano, filho de Bamade, um dos mais cruéis satélites de Simão, não se contentou em ser o executor dessa detestável ordem; ele dizia por gracejo que iam ver se os romanos aos quais Matias queria entregar a cidade, seriam capazes de o salvar. Nada mais restava para encher a medida de tão hor­rível desumanidade do que recusar a sepultura a esses quatro corpos; e Simão não deixou de proibir que o fizessem.

O furor desse monstro de crueldade não se deteve ainda aí: mandou matar o sacerdote Ananias, filho de Masbal, que era de nobre descendência; Aristeu, secretário do conselho, natural de Emaús e homem de mérito, e quinze outros dos principais dentre o povo. Mandou também pôr na prisão a mãe* de Josefo e proibir a som de trombeta que lhe falassem nem fossem visitá-la, sob a pena de ser culpado de traição; os que desobedeciam a essa ordem eram imedi­atamente condenados à morte, sem qualquer forma de justiça.

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* O texto grego diz que era o pai, mas a continuação da história mostra que foi a mãe.

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