Capítulo 3 – Os romanos tomam Gamala e são depois obrigados a sair de lá com graves perdas.

A atividade infatigável dos romanos, unida ao seu grande número, fê-los terminar seus trabalhos em pouco tempo e então eles colocaram as máqui­nas. Charés e José, dois dos mais influentes da cidade, dispuseram seus homens e exortaram-nos a se defenderem com coragem, porém os mais sensatos não estavam muito tranqüilos porque não acreditavam poder sustentar um cerco tão prolongado, pois tinham falta de água e de várias outras coisas necessárias. Assim resistiram somente um pouco; quando se sentiram atingidos pelos dar­dos e pelas pedras, que as máquinas atiravam, retiraram-se para a cidade. Os romanos, depois de terem feito uma brecha com o aríete, atacaram por três lugares ao mesmo tempo e o ruído de suas trombetas e de suas armas aumen­tou ainda mais com o vozerio dos habitantes. Os sitiados resistiram muito e corajosamente, até que se sentiram oprimidos pelo grande número dos inimi­gos; foram então obrigados a ceder e a se retirar para os lugares mais elevados da cidade, mas os romanos perseguiram-nos e os atacaram; dispersaram-nos e os mataram nas ruas estreitas e inclinadas onde eles não podiam ficar de pé para se defender. Lançaram-se em massa para se salvar sobre as casas que esta­vam abaixo; como elas eram mal construídas, tão grande peso as fazia desmo­ronar; caindo, faziam também cair outras, e estas ainda outras; os romanos, entretanto, preferiam isso a ficar num lugar descoberto. Muitos foram assim exterminados; outros, sufocados pela poeira; outros estropiados e assim um grande número morreu. Os sitiados que viam com prazer caírem suas casas, apertavam-nos cada vez mais por obrigá-los a sair de lá e matavam do alto, a golpes de dardos os que caíam nos caminhos escorregadios. As ruínas das cons­truções forneciam-lhes pedras; os mortos, davam-lhes armas e eles se serviam das espadas dos que ainda respiravam para acabar de matá-los. Vários roma­nos mataram-se, atirando-se para baixo, para se salvar das casas, que viam prestes a desabar; os que podiam fugir não sabiam para onde ir, porque não conheciam os caminhos e a poeira era tão espessa que não se podiam reconhe­cer e por isso lançavam-se uns contra os outros. Os que podiam escapar saíam logo da cidade.

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