Capítulo 16 – Quantos eram os que seguiam o partido de Simão e o de João. A divisão dos judeus foi a verdadeira causa da queda de Jerusalém e de sua ruína.
Os mais valentes e os mais obstinados dos facciosos seguiam o partido de Simão; seu número era de dez mil, subordinados à autoridade de cinqüenta oficiais. Havia, além disso, cinco mil idumeus, comandados por dez chefes cujos principais eram Sosa, filho de Tiago, e Catlas, filho de Simão.
João tinha ocupado com seis mil homens, comandados por vinte oficiais; e dois mil e quatrocentos zelotes, que haviam passado ao seu partido, tinham por chefe a Eleazar, a quem antes obedeciam, e Simão, filho de Jair.
Na guerra que esses dois partidos contrários faziam-se reciprocamente, o povo era-lhes a presa comum e eles não perdoavam a um só deles, se não fosse de seu partido. Simão era senhor da cidade alta, do maior muro até o vale do Cedrom: e desse espaço do muro antigo, que se estende desde a fonte de Siloé até o lugar onde ele se volta para o oriente, e até o palácio de Monobazo, rei dos adiabenianos, que moram além do Eufrates. Ocupava também o monte Acra, onde está a cidade baixa, até o palácio real de Helena, mãe de Monobazo.
João, por seu lado, era senhor do Templo e de alguma parte dos arredores, como também de Oflam e do vale de Cedrom, e tudo o que se encontrava entre Simão e ele fora consumido pelo fogo e era como uma grande praça de armas, que servia de campo de batalha. Ainda que os romanos estivessem acampados às suas portas e estivessem organizando o assédio, sua animosidade não cessava. Eles reuniam-se somente durante algumas horas para se opor aos seus inimigos comuns e recomeçavam imediatamente a luta voltando suas armas contra si mesmos, como se para ser agradáveis aos romanos, tivessem conjurado sua própria perda. Podemos dizer com verdade que uma guerra tão cruel em seu interior não lhes era menos funesta que uma guerra externa, e que Jerusalém não sofreu mais da parte dos romanos, do que o furor dessas infelizes divisões, que já lhe havia feito experimentar males ainda maiores. Assim não tenho receio de afirmar que é principalmente a esses inimigos de sua pátria e não aos romanos, que devemos atribuir a ruína dessa poderosa cidade, e que a única glória que lhes pode caber é ter exterminado esses malfeitores, cuja impiedade unida a tantos outros crimes que nem poderíamos imaginar, lhe tinha destruído a união que lhe dava muito mais força que suas mesmas muralhas. Não podemos pois dizer, com razão, que os crimes dos judeus são a verdadeira causa de suas desgraças e o que os romanos lhes fizeram sofrer, foi um justo castigo? Deixo, porém, a cada qual, que julgue como lhe aprouver.
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