Capítulo 15 – Diversas outras observações legais. O sumo sacerdote e suas vestes. A fortaleza Antônia.
Os que eram de família sacerdotal e não podiam exercer o sacerdócio, porque eram cegos, ficavam com os que estavam puros e não tinham nenhum defeito corporal. Recebiam a mesma porção que os levitas, que serviam no altar, mas estavam vestidos como os leigos, porque só aos que exerciam o serviço divino era permitido usar o hábito sacerdotal.
Os sacerdotes deviam ter vida irrepreensível para entrar no Templo e aproximar-se do altar. Vestiam-se de linho e eram obrigados a se abster de vinho, como também a ser mui sóbrios em suas refeições, a fim de exercer dignamente um ministério tão santo.
O sumo sacerdote não subia sempre ao altar, mas somente no dia de sábado, no primeiro dia de cada mês e nas festas solenes, nas quais todo o povo tomava parte.
Quando oferecia o sacrifício cingia-se de uma veste de linho, que cobria uma parte das coxas. Tinha uma outra por baixo e por cima das duas, uma veste azul, que chegava até os calcanhares, em cuja orla havia campainhas presas e pequenas romãs de ouro, que representavam os trovões e os relâmpagos. Seu peitoral estava preso com cinco fitas de diversas cores, isto é, dourada, púrpura, escarla-te, linho e azul; e os véus do Templo, como já disse, eram tecidos de cores semelhantes.
O éfode tinha também as mesmas cores; mas havia muito mais ouro e se parecia com uma couraça. Estava preso por dois broches de ouro, feitos em forma de serpente, nos quais estavam incrustadas sardônicas de grande valor, em que tinham gravados os nomes das doze tribos. Havia presas dos dois lados, doze outras pedras preciosas dispostas de três em três, onde esses mesmos nomes estavam gravados. Na primeira fila, uma sardônica, um topázio e uma esmeralda; na segunda, um rubi, um jaspe e uma safira; na terceira, uma ágata, uma ametista e um lincuro; na quarta, um ônix, um berito e uma crisólita. Sua tiara era de linho e enriquecida com uma coroa de cor azul, com uma outra por cima, de ouro, onde as quatro vogais que são as letras sagradas estavam esculpidas.
O sumo sacerdote não estava sempre revestido desses hábitos, mas usava um menos rico; só o fazia uma vez por ano, quando entrava sozinho no Santo dos Santos; nesse dia celebrava-se um jejum geral. Mas falarei em outro lugar mais detalhadamente da cidade, do Templo, de nossos costumes e de nossas leis, de que me faltam ainda várias coisas para dizer.
Quanto à fortaleza Antônia, estava situada no ângulo que formavam as duas galerias do primeiro Templo, que estava voltado para o ocidente e o norte. O rei Herodes o tinha construído sobre uma rocha de cinqüenta côvados de altura, inacessível de todos os lados; em nenhuma outra obra ele quis ostentar tanta magnificência. Tinha feito incrustar toda a rocha de mármore, desde a base até o alto, quer para embelezá-la, quer para torná-la tão escorregadia, que por ali não se pudesse nem subir nem descer. Tinha rodeado a torre com um muro de três côvados de altura somente; todo o espaço daquela torre, contando-se desde o muro, era de quarenta côvados. Embora fosse tão forte no exterior, havia no interior tantos aposentos, banheiros e salas capazes de conter um grande número de pessoas, que poderia passar por um soberbo palácio; as salas eram tão belas e cômodas, que poderia parecer uma pequena cidade. Seu perímetro tinha a forma de uma torre e a iguais distâncias havia quatro outras torres: três delas tinham cinqüenta côvados de altura, mas a que estava no ângulo e voltada para o oriente e o sul, tinha setenta e de lá se podia ver todo o Templo. Nos lugares onde elas se uniam às galerias, havia, à direita e à esquerda, degraus por onde, quando os romanos eram senhores de Jerusalém, havia soldados para impedir que o povo tentasse alguma sublevação nos dias de festa. O Templo era como a cidadela de Jerusalém, e a torre Antônia era como a cidadela do Templo; a guarnição lá colocada devia não somente conservá-la, mas também defender a cidade e o Templo.
O palácio do rei Herodes que estava construído na cidade alta podia também ser tido como outra cidadela.
O monte de Beseta, que estava, como disse, separado da fortaleza Antônia, era o mais alto de todos; unia, em parte, a cidade nova e era o único que estava fronteiro ao Templo, do lado do norte.
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