Capítulo 1 – O imperador Cláudio destitui Marcos do cargo de governador da Síria. Longino o substitui. Fado, governador da Judéia, castiga os sediciosos e ladrões que perturbam a província e ordena aos judeus que reponham na fortaleza Antônia as vestes sagradas do sumo sacerdote. O imperador revoga essa ordem a pedido do jovem Agripa.
Depois da morte do rei Agripa, o Grande, de que acabamos de falar no livro precedente, o imperador Cláudio, para honrar a sua memória e manifestar o quanto o havia amado, tirou de Marcos o governo da Síria, como este mesmo lhe havia muitas vezes solicitado, e o entregou a Longino.
Nesse mesmo tempo, Fado, que havia sido nomeado para a judéia, foi exercer o cargo. Existia então uma séria polêmica entre os judeus que habitavam além do Jordão e os de Filadélfia, com relação aos limites da aldeia de Mia, cujos habitantes eram de temperamento guerreiro. Os judeus haviam pegado em armas sem o consentimento de seus magistrados e matado vários dentre os de Filadéfia. Ele ficou tão irritado ao vê-los querendo fazer justiça por si mesmos, sem esperar o seu parecer, que depois de mandar prender Aníbal, Areram e Eieazar, os principais autores da sedição, condenou à morte o primeiro e exilou os outros dois.
Algum tempo depois, mandou também prender Ptolomeu, chefe dos ladrões que tantos males haviam causado aos idumeus e aos árabes. Condenou-o à morte e expurgou assim toda a judéia desses inimigos da segurança pública. Reuniu depois os sacerdotes e os maiorais de Jerusalém para ordenar-lhes, da parte do imperador, que recolocassem na fortaleza Antônia as vestes sagradas, de que somente os sumos sacerdotes podem se servir, a fim de que lá ficassem e fossem guardados pelos romanos, como outrora. Com receio, porém, de que essa ordem os levasse a uma revolta, levou consigo algumas tropas a Jerusalém.
Os sacerdotes e os que os acompanhavam não ousaram contestar a ordem, mas rogaram a Longino e a Fado que lhes fosse permitido enviar embaixadores ao imperador com uma petição para que a guarda da veste sacerdotal permanecesse com eles e que nada se mudasse enquanto aguardavam a resposta. Eles foram atendidos, sob a condição de que deixassem os filhos como reféns, no que eles concordaram sem dificuldade. Depois disso, partiram os embaixadores, e o jovem Agripa, filho do rei Agripa, o Grande, que ainda estava em Roma, ao saber o motivo que os levava até ali, rogou ao imperador que consentisse naquele pedido e enviasse mensagem a Fado. Cláudio mandou vir os embaixadores e disse-lhes que concedia o que eles desejavam, mas que agradecessem a Agripa, pois era em consideração a ele e ao seu pedido que lhes outorgava aquela graça.
Entregou-lhes em seguida uma carta, que reproduzo aqui: “Cláudio César Germânico, príncipe da República pela quinta vez, cônsul pela quarta vez, imperador pela décima e pai da Pátria. Aos magistrados, ao senado, ao povo de Jerusalém e a toda a nação dos judeus, saudação. Tendo os vossos embaixadores — que me foram apresentados por Agripa, o qual foi educado e instruído em minha companhia, e a quem muito estimo — me agradecido pelo cuidado que dispenso à vossa nação e me solicitado com grande insistência a manutenção da guarda dos ornamentos de vosso sumo sacerdote e da coroa, tal como Vitélio, que me é muito caro, fez antes de mim, consenti em seu pedido. Fiz isso tanto por piedade quanto porque acho justo permitir a cada qual viver conforme a religião de seu país e também pelo afeto particular que o rei Herodes e o jovem Agripa têm por mim e pelas vossas necessidades, sendo que tenho com eles grande amizade. Estou escrevendo sobre esse assunto a Cúspio Fado, por Cornélio, filho de Cero, Trifo, filho de Têudio, Doroteu, filho de Natanael, e João, filho de Jotre. Esta carta é datada do quarto ano das calendas de julho, sendo os cônsules Rufo e Pompeu Silvano”.
Herodes, príncipe da Cálcida e irmão do falecido rei Agripa, o Grande, pediu então ao imperador Cláudio, e obteve dele, poder sobre o Templo e sobre o tesouro sagrado e o direito de escolher o sumo sacerdote. Essa autoridade permaneceu com ele e com os seus descendentes até o fim da guerra dos judeus. Esse príncipe tirou o sumo sacerdócio de Cantara, e entregou-o a José, filho de Caneu.
Comentários
Tão vazio aqui... deixe um comentário!