Capítulo 30 – Simão, filho de Gioras, começa por se tornar chefe de um bando de ladrões, e reúne em seguida grandes forças. Os zelotes atacam. Ele derrota-os. Trava batalha com os idumeus e a vitória fica indecisa. Volta contra eles com forças maiores e todo seu exército é destruído pela traição de um de seus chefes.

Entretanto, surgiu uma nova guerra entre os judeus. Simão, filho de Gioras, originário de Gerasa, não era tão astuto como João, que se tinha apoderado de Jerusalém, mas era mais jovem, mais forte e ainda mais ousado que ele. O sumo sacerdote Anano o tinha expulsado por esse motivo da toparquia de Acrabatana, de que ele era o governador e se havia juntado aos ladrões que haviam ocupado Massada. A princípio ele lhes era suspeito e permitiram-lhe somente ficar na fortaleza na parte inferior com as mulheres que havia levado, sem deixá-lo entrar na parte superior. Mas, pouco a pouco, pela conformidade de seus costumes, e tendo lhes parecido fiel, foi conquistando a confiança de todos, servindo-lhes de guia para saquearem as regiões circunvizinhas. Fez depois tudo o que pôde para levá-los a empresas maio­res, mas inutilmente, porque considerando aquele lugar como um refúgio garanti­do, para eles, não queriam se afastar dali. Mas como ele era muito ambicioso e só aspirava a um governo tirânico, apenas soube da morte de Anano, foi aos montes, mandou publicar a todos que daria liberdade aos escravos e recompensas aos livres. Todos os que gostavam da desordem e da licença, imediatamente uniram-se a ele e, depois de lhes ter reunido um grande número, saqueou as aldeias dos arredores e dos montes. Suas tropas cresciam sempre e ele se atreveu a descer às planícies e tornou-se temível às cidades. Sua coragem e seus felizes êxitos levaram mesmo vári­as pessoas ilustres a se unirem a ele; suas tropas não eram somente compostas de escravos e de ladrões; havia ainda outros de boa posição, no meio do povo, e todos lhe prestavam obediência, como se ele fosse rei. Ele fazia incursões em Acrabatana e na alta Iduméia. Uma aldeia chamada Naim, que ele tinha rodeado de muralhas, servia-lhe de refúgio; e além das cavernas que encontrou no vale de Faram, alargou algumas, para onde levava o produto de seus saques, todo o cereal e as frutas que roubava nos campos. Um grande número dos seus alojava-se nessas cavernas e não se podia duvidar de que tal quantidade de homens e de provisões não fosse feita com o fim de se servir de tudo contra Jerusalém.

Os zelotes, para impedi-lo e não permitir que se fortificasse ainda mais, saíram em grande número para atacá-lo. Ele veio corajosamente contra eles, combateu-os, matou a muitos e pôs os restantes em fuga.

Não se julgando ainda, entretanto, bastante forte para sitiar Jerusalém, quis antes de se arriscar em tão grande empresa, dominar a Iduméia; com esse fim, marchou contra ela com vinte mil homens. Os idumeus reuniram vinte e cinco mil soldados dos melhores e deixaram o restante para resistir às incursões daqueles ladrões, que estavam refugiados em Massada. Simão esperou-os na fronteira. Travou-se o combate que durou desde manhã até à noite, sem que se pudesse dizer de que lado pendia a vitória. Simão regressou em seguida a Naim e os idumeus, para suas terras.

Pouco tempo depois ele voltou com mais forças e acampou perto da aldeia de Técua; mandou Eleazar ao castelo de Herodiom, para persuadir aos que lá estavam que o entregassem a ele. Os chefes, antes de saber o motivo que o levava, receberam-no bem. Mas depois que lhes expôs a sua comissão, puseram mãos à espada para matá-lo; como ele não podia fugir, atirou-se do alto da muralha ao vale e morreu.

Os idumeus, temendo as forças de Simão, quiseram antes de travar combate, examinar o estado de suas tropas. Tiago, um de seus chefes, ofereceu-se para ir lá, a fim de atraiçoá-lo. Partiu da aldeia de Olura, onde seu exército estava reuni­do e prometeu a Simão entregar-lhe o país, contanto que ele garantisse com juramento tê-lo em grande consideração. Simão, depois de o ter tratado muito bem, despediu-o cheio de promessas. O traidor, de volta, começou por fazer crer aos principais da cidade que as forças de Simão eram muito maiores do que eram de verdade; procurou depois dispor todo o restante do exército a recebê-lo e a entregar em suas mãos a soberana autoridade antes que decidir-se a um combate; logo depois, pediu a Simão que avançasse em seguida, com a promes­sa de destruir todo o exército dos idumeus. Simão partiu imediatamente; e quan­do esse pérfido homem o viu aproximar-se, fugiu com todos os do seu partido e lançou assim tal terror no exército, que todos só pensaram em fugir, como ele, sem ousar combater.

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