Capítulo 6 – Herodes pretende socorrer Antônio contra Augusto. Antônio, porém, obriga-o a continuar os planos de guerra aos árabes. Herodes entra no país dos árabes, vence-os, mas perde outra luta, quando julgava ter vencido a guerra.
Herodes, cuja coragem não podia tolerar tal injustiça e desprezo dos árabes, preparava-se para entrar com armas no país deles, quando uma grande guerra civil rebentou entre os romanos, para se decidir a quem pertenceria o império do mundo, se a Antônio ou a Augusto. A batalha de Áccio, que se travou na centésima octogésima sétima Olimpíada, decidiu a sorte em favor de Augusto. Como o rei dos judeus devia a Antônio muitas obrigações e o longo e pacífico domínio de um país tão abundante em pastagens e gado, além de outras grandes rendas, que o haviam tornado extremamente rico, ele preparou grandes forças para ir em seu auxílio. Mas Antônio mandou dizer-lhe que não precisava delas e que, tendo sabido por ele e pela rainha Cleópatra da perfídia dos árabes, preferia que Herodes marchasse contra eles. Cleópatra, que estava muito satisfeita por ver os judeus e os árabes em luta, enfraquecendo-se uns aos outros, foi causa dessa resposta de Antônio, que obrigou Herodes a mudar de idéia.
Em seguida, Herodes entrou na Arábia com um poderoso exército e avançou para Dióspolis, e os árabes vieram contra ele. Travou-se o combate, que foi muito sangrento, mas os judeus foram vitoriosos. Os árabes reuniram um novo exército perto de Canate, na Baixa Síria. Herodes marchou contra eles com a maior parte de suas tropas e, quando estava perto, decidiu acampar e fortificar o seu acampamento, a fim de esperar o tempo mais conveniente para atacá-los. Os soldados, porém, instaram com ele em altos brados para que não adiasse mais a luta e os levasse logo à batalha, pois a vitória que haviam conquistado e a confiança nas próprias forças tornara-os corajosos.
Herodes julgou que não devia deixar esfriar aquele entusiasmo e aproveitou a ocasião para dizer que não lhes seria inferior em coragem. Então pôs-se à frente deles e marchou contra os inimigos. A ousadia com a qual partiu contra os árabes encheu estes de admiração, de modo que a maior parte fugiu — e teriam sido completamente derrotados, se Ateniom, general das tropas de Cleopatra naquele país, não o tivesse impedido. Como ele odiava Herodes, esperou com as suas tropas, em boa ordem, o advento da batalha, com a intenção de não se declarar por nenhum partido, caso os árabes levassem vantagem. Mas quando viu que estavam sendo derrotados, atacou os judeus, já cansados do combate. Apanhou-os justamente quando já se julgavam vitoriosos e, pensando que nada mais tinham a temer, começavam a se desorganizar. Não foi difícil par ele matar um grande número deles, tendo ainda a vantagem de conhecer a região, que era muito pedregosa e difícil.
Então os árabes retomaram coragem e voltaram para atacar os judeus, que não estavam mais em condições de resistir. A mortandade foi tão grande que apenas uma pequena parte das tropas pôde, com dificuldade, retirar-se do campo. Herodes correu a toda brida para trazer outras tropas em socorro, mas não pôde impedir que o acampamento fosse saqueado. Assim, os árabes, por uma facilidade inesperada, obtiveram a vitória quando já se julgavam vencidos e destruíram um poderoso exército. Herodes evitou desde aquele dia travar novo combate. Contentou-se em acampar nos montes e fazer pequenas incursões naquele país e com isso obteve grande lucro, pois esse trabalho, ao qual acostumou os seus, permitiu-lhes reparar a perda que haviam sofrido.
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