Capítulo 7 – Estranho tremor de terra em Jerusalém. Os árabes atacam os judeus e matam os embaixadores enviados por estes para pedir a paz.

No sétimo ano do reinado de Herodes, o mesmo em que se deu a bata­lha de Áccio, entre Augusto e Antônio, aconteceu na Judéia o maior terremoto de que ali se teve notícia. A maior parte do gado morreu, e cerca de dez mil homens ficaram esmagados sob as ruínas de suas casas. Os soldados não sofre­ram mal algum porque estavam acampados ao ar livre. Não se pode calcular como essa perda, que se dizia ainda maior, pelo ódio que as outras nações ti­nham da nossa, levantou o ânimo dos árabes. Eles imaginaram que todas as nossas cidades haviam sido destruídas e que não restava mais ninguém para lhes resistir. Assim, em vez de sentir pena da infelicidade dos judeus, eles mataram os embaixadores que estes lhes haviam mandado para pedir a paz e marcharam contra o nosso povo com ardor não menor que a solicitude ou a alegria.

Os judeus não ousaram esperá-los, porque o infeliz resultado na guerra, as perdas que o terremoto havia causado e a pouca probabilidade de receber socorro os abateram de tal modo que, não sendo mais movidos pelo amor do bem público, estavam prestes a se abandonar a um completo desespero. Em tão extrema consternação, Herodes tudo fez para despertar a coragem de seus chefes e, vendo que os mais valentes começavam a conceber melhores esperanças, atreveu-se a falar às tropas, coisa que antes não ousara fazer, pois notara, em outras ocasiões, que quando a sorte lhes era contrária, eles nada queriam escutar.

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