Capítulo 5 – Cleópatra vai à judéia e inutilmente procura suscitar amor em Herodes. Antônio, após conquistar a Armênia, contempla essa princesa com magníficos presentes.

Cleópatra, depois de acompanhar Antônio até o Eufrates, veio a Apaméia e a Damasco, enquanto ele marchava com o seu exército pela Armênia, e desejou também ver a Judéia. Herodes recebeu-a com grandes honras e tratou com ela a respeito das rendas da parte da Arábia a ela concedida por Antônio e do território de Jerico, o único lugar onde cresce o bálsamo, que passa pelo mais excelente de todos os perfumes, e onde se vêem em abundância as mais belas palmeiras no mundo.

Durante as diversas entrevistas que Herodes teve com a princesa, ela tudo fez para envolvê-lo amorosamente. E, como era muito impudica, certamente sentia atração por ele. No entanto, o mais verossímil é que o seu intento fosse o de por esse meio encontrar ocasião para destruí-lo. De qualquer modo, ela demonstrou sentir grande paixão por Herodes. Ele, que, ao contrário, nutria por ela grande aversão havia muito tempo, pois essa princesa sentia prazer em fazer mal a to­dos, não somente permaneceu insensível às suas carícias como se sentiu horrori­zado pela sua falta de pudor, chegando a consultar os amigos se não era o caso fazê-la morrer e assim livrar muita gente dos males que ela causava, bem como dos que poderia vir a causar. Alegou ainda que estaria fazendo um favor a Antô­nio, pois se a sorte deixasse de lhe ser favorável, ele só poderia esperar dela infidelidade, em vez de auxílio. A sua intenção era libertar o mundo daquela inimiga declarada da virtude e da justiça.

Os amigos, porém, foram de opinião contrária. Disseram que não era vantagem um príncipe tão hábil como ele lançar-se em tão grave perigo; que não devia agir com tal precipitação; que era impossível Antônio não descobrir o seu ato; que, por maior benefício que Antônio viesse a obter com aquilo, a cólera por se ver daquele modo privado da princesa aumentaria ainda mais o seu amor por ela; que ele não escutaria nenhuma alegação em justificativa ao atentado à mais poderosa rainha de seu tempo, pois ainda que a sua morte lhe fosse útil, não se poderia negar que ele com isso seria grandemente ofen­dido; e que, sendo evidente que Herodes nada podia empreender contra Cleópatra sem atrair sobre si e sobre a sua família grandíssimos males, julgavam que a melhor deliberação a tomar, depois que ele recusara corresponder ao amor da princesa, era fazer em tudo o mais o que fosse possível para contentá-la. Herodes deixou-se persuadir por essas razões. Então, serenou Cleópatra com grandes presentes e levou-a até o Egito.

Depois que Antônio conquistou a Armênia, mandou Artabaso, filho de Tigrano, e os príncipes seus filhos como prisioneiros ao Egito e deles fez presente a Cleópatra, junto com o que havia conquistado de mais precioso naquele reino. Artáxio, filho mais velho de Artabaso, que havia fugido ante a notícia dessa guerra, reinou depois no lugar de seu pai. Mas Arquelau e o imperador Nero o expulsaram do reino, colocando Tigrano, o mais novo de seus irmãos, no trono.

Quanto aos tributos dos países que Antônio entregara a Cleópatra, Herodes pagava-os rigorosamente à princesa, porque ele bem sabia o quanto lhe era conveniente não dar a ela motivo para que o odiasse. Depois que a cobrança desses tributos passou a pertencer a Herodes, os árabes pagaram-lhe durante algum tempo duzentos talentos por ano. Depois passaram a lhe tributar apenas parte desse valor.

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