Capítulo 32 – Enorme quantidade de munição de guerra e de boca que havia em Massada e por que Herodes, o Grande, a havia levado para lá.
Se a posição e as fortificações dessa praça tornavam-na tão forte, a maneira quase incrível com que estava defendida, acrescentava ainda muito à dificuldade em expugná-la. Havia trigo para vários anos, vinho e óleo em abundância, toda espécie de legumes, grande quantidade de tâmaras. Quando Eleazar tomou esse castelo, lá encontrou tudo isso, tão perfeito como quando lá havia sido colocado, embora se tivessem passado quase cem anos. Quando os romanos a tomaram, encontraram os restantes, no mesmo estado; deve-se sem dúvida atribuir a causa disso ao lugar, muito elevado, ao ar, muito puro, que torna difícil a corrupção de qualquer alimento. Lá havia também armas de todas as espécies, para uns dez mil homens, uma mui grande quantidade de ferro, de cobre e de chumbo, que ainda não tinha sido usado. Tantas coisas úteis mostravam que ali havia sido colocado, com algum fim especial. Julga-se que o príncipe se queria garantir um refúgio seguro, no caso de algum destes dois perigos, que tinha motivo de temer: uma revolta dos judeus, para recolocar no trono algum membro da família dos hasmoneus, e o outro ainda muito maior e mais temível, isto é, que a rainha Cleópatra obtivesse, por fim, de Antônio, que o mandasse matar para dar-lhe seu reino. Pois ela o importunava sem cessar a esse respeito e estava tão apaixonada que há mesmo motivo de se admirar de que ele lha tenha recusado. Por isso os temores de Herodes tinham posto essa praça em tal condição que embora fosse a única que ainda restava, os romanos não podiam, sem tomá-la, terminar a guerra contra os judeus.
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