Capítulo 31 – Silva organiza o cerco de Massada. Descrição da posição, da força e da beleza dessa praça.
Silva avançou com o exército romano para sitiar Massada, defendida por Eleazar, chefe dos sicários; começou ele por colocar guamições em todos os lugares dos arredores, que julgou necessárias para se apoderar do país, mandou em seguida cercar a praça, com um muro, colocando um corpo de guardas, para que ninguém pudesse escapar, armou seu acampamento no lugar onde os rochedos do castelo estão próximos do monte vizinho. Não encontrou poucas dificuldades nesse assédio; porque para manter seu exército, não somente era necessário mandar buscar víveres muito longe, o que era um grande trabalho para os judeus, que nisso ele empregava, mas iam mesmo a outras partes, buscar água, porque ali não havia, nem fontes, nem regatos. A essas dificuldades juntava-se a da resistência da praça. Estava construída sobre uma grande rocha, cujo vértice, muito elevado, é de longa extensão. Rodeada também de todos os lados por vales profundos, cujo fim não se alcança com a vista, porque outras rochas o ocultam. É inacessível mesmo aos animais, exceto por dois caminhos, pelos quais lá se sobe, embora com dificuldade: um do lado do oriente, que corresponde ao lago Asfaltite; o outro do lado do ocidente, um pouco menos difícil. Deu-se a um destes caminhos o nome de cobra, porque ele descreve curvas e mais curvas que as rochas que lá se encontram o obrigam a fazer; há desvios, de um lado e de outro, para se poder progredir, pouco a pouco; por ali caminha-se com grande dificuldade, porque se deve ter todo o cuidado, no mudar os pés, a fim de não se escorregar; a morte é inevitável se se vier a cair entre essas rochas, tão altas e tão escarpadas, que os mais ousados não as poderiam contemplar, sem temor. Depois de se ter chegado por esse caminho, cuja extensão é de trinta estádios, ao cume do monte, vemos, que este em vez de terminar em ponta torna-se uma planície. O sumo sacerdote Jônatas foi o primeiro que escolheu esse lugar para construir um castelo ao qual ele chamou de Massada, e Herodes, o Grande, não poupou despesas para fortificá-lo, o mais possível. Rodeou-o por um muro construído com pedras brancas, de doze côvados de altura e de oito de largura. O perímetro do muro era de sete estádios e ele o fortificou com trinta e sete torres de cinqüenta côvados de altura cada uma, as quais se comunicavam com aposentos, bastante espaçosos, construídos em redor desse muro, nas adjacências; e, como a terra dessa pequena planície era muito fértil, ele quis que fosse cultivada para prover à subsistência dos que ali buscassem sua segurança, se não pudessem obter víveres de outros lugares. O príncipe tinha ainda mandado construir no recinto desse castelo, do lado do norte, um soberbo palácio ao qual se subia pelo caminho do lado do ocidente. As muralhas eram muito altas e muito fortes e nos quatro cantos havia quatro torres de sessenta côvados de altura. Os aposentos do palácio, suas galerias e seus banheiros, eram admiráveis; colunas de um só bloco de pedra sustentavam-nas e o conjunto era tão fortemente unido, que nada podia ser mais firme. O pavimento era de mármore de diversas cores. Herodes tinha feito cavar muitas cisternas na rocha, para conservar a água da chuva, porque as fontes não forneciam o suficiente para todos. Um fosso, que não se podia ver de fora, levava desse palácio, para o alto do castelo, que lhe era como a cidadela; aqueles que tivessem algum plano de conquistar essa praça mal lhe podiam ver as estradas de acesso bastante difícil; quanto ao que estava do lado do oriente, era tal como nós a descrevemos; tinham construído a mil côvados longe do castelo, no lugar mais estreito do caminho, uma torre que lhe fechava a passagem e que não era fácil de se tomar. Toda a estrada tinha mesmo sido feita de tal sorte que era muito difícil passar-se por aí, embora não se encontrassem obstáculos. Assim, natureza e arte, pareciam ter trabalhado sem descanso, para fortificar essa praça.
Comentários
Tão vazio aqui... deixe um comentário!