Capítulo 23 – Dois guardas de Simão entregam-se a Tito. Os romanos põem fogo nas portas do Templo e as chamas chegam até às galerias.
Anano, nativo de Emaús, um dos mais cruéis dos guardas de Simão, e Arquelau, filho de Magadate, vieram entregar-se a Tito, com a esperança de que depois desta primeira vantagem obtida pelos judeus, ele lhes poderia perdoar. O príncipe, tão inimigo dos malvados, sabia dos crimes que eles tinham cometido e somente a necessidade é que os obrigava a se entregar, por isso não achava que homens, que abandonavam sua pátria, depois de lá ter acendido o fogo da guerra, fossem dignos de perdão, bem quisera condená-los à morte; mas, por maior que fosse o seu ódio por eles, cedeu à promessa que lhe faziam de guardar sempre e religiosamente a sua palavra. Então, deixou-os ir, sem todavia tratá-los tão favoravelmente como aos outros.
Os romanos tinham então incendiado as portas do Templo e aquele incêndio não somente destruíra a madeira e fundira as lâminas de prata, de que estavam recobertas, mas tinha ido além e chegara até às galerias. Os judeus ficaram tão atônitos por se verem no meio das chamas, que perderam a coragem e o ânimo. Nem um só deles avançou para repelir os romanos ou para apagar o fogo, como se o Templo já tivesse sido reduzido a cinzas; sua estupidez era tal, que em vez de se entristecer e de procurar impedir que o fogo devorasse todo o restante, contentaram-se em amaldiçoar os romanos. O incêndio continuou violentamente durante o restante do dia e a noite seguinte; por maior que fosse, porém, só pouco a pouco podia destruir as galerias.
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