Capítulo 22 – Os romanos, não podendo abrir uma brecha no Templo, embora seus aríetes o tivessem batido durante seis dias, escalam-no e são repelidos com perdas de vários homens e algumas bandeiras. Tito manda incendiar os pórticos.

Quando as duas legiões terminaram as plataformas, Tito, a oito de agosto, mandou recolocar os aríetes na direção dos salões do Templo exterior, que esta­vam do lado do ocidente. O maior dos aríetes bateu nele continuamente, durante seis dias, sem obter nenhum resultado, porque aquele soberbo edifício estava fora das possibilidades de suas máquinas. Os soldados procuravam ao mesmo tempo solapar os alicerces do lado do norte e depois de ter trabalhado com incrível difi­culdade e quebrado diversos utensílios e ferramentas de que se serviam, consegui­ram somente arrancar algumas pedras, de fora, sem conseguir abalar as de dentro, que sustentavam as portas. Assim, tendo perdido a esperança de algum bom resul­tado nessa empresa, resolveram recorrer à escalada. Os judeus, que não a tinham previsto, não puderam impedir que eles encontrassem escadas; jamais resistência foi maior que a que eles ofereceram; derrubavam os que já estavam no alto dos degraus, antes que se pudessem cobrir com seus escudos e afastavam mesmo as escadas, cheias de soldados; isso veio a custar a vida a vários romanos. O ataque foi obstinado, de parte a parte, mas a luta maior, foi pelas bandeiras, porque os roma­nos consideravam-lhes a perda, como uma vergonha insuportável e nada havia que os judeus não fizessem para conservá-las, depois de as terem conquistado. Por fim, conseguiram apoderar-se de várias, mataram os que as levavam e obrigaram os outros a se retirarem. Por mais infeliz que tivesse sido esse resultado para os romanos, não poderíamos jamais privá-los da glória de que nenhum deles morreu sem ter dado provas de um valor digno do nome romano. Mém daqueles judeus, que ainda se distinguiram nessa ocasião, como já o haviam feito nas precedentes, Eleazar, filho do irmão de Simão, um dos tiranos, conquistou grandes honras; Tito, vendo que o seu desejo de conservar um Templo para estrangeiros custava a vida a um número tão grande dos seus, mandou incendiar-lhe os pórticos.

Comentários

Tão vazio aqui... deixe um comentário!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Barra lateral