Capítulo 20 – Perturbação no acampamento dos romanos pela queda de uma das torres que Tito tinha mandado erguer em suas plataformas. Ele apodera-se do primeiro muro da cidade.

Na noite seguinte aconteceu uma estranha perturbação no acampa­mento dos romanos. Tito havia feito erguer sobre os terraços três torres de cinqüenta côvados de altura cada uma, para dali dominar as defesas e as mura­lhas dos judeus. Pela meia-noite, uma dessas torres caiu por si mesma e o ruído da queda encheu todo o acampamento de temor, porque não se duvidava de que era o efeito de algum grande ataque dos judeus. Naquele tumulto todas as legiões correram, tomaram as armas, sem saber de que lado enfrentá-los, por­que não viam os inimigos. Perguntaram uns aos outros como aquilo havia acon­tecido e ninguém sabia dizê-lo. Ante tal dúvida começaram a desconfiar uns dos outros; perguntavam-se reciprocamente a senha e pareciam estar tomados de tal terror e pânico, que mesmo quando os judeus tivessem atacado seu acampamento não seria ele menor. Mas Tito soube logo de que se tratava e comunicou-o a todo o exército; com dificuldade conseguiu acalmar tão grande perturbação.

Os judeus sustentavam sem temer todos os ataques dos romanos, mas não sabiam como remediar os prejuízos que recebiam daquelas torres, porque esta­vam cheias de máquinas, fáceis de se transportar, de arqueiros, de fundibulários, que se oprimiam continuamente, sob uma chuva de dardos, de flechas e de pedras, sem que eles soubessem como se esquivar, porque não podiam armar cavaletes que igualassem a altura das torres, nem derribá-las, pois eram muito fortes; nem incendiá-las, porque estavam todas recobertas de placas de ferro. Foram então obrigados a recuar para mais longe, fora do alcance das flechas, dos dardos e das pedras. Assim, nada podia mais retardar o trabalho dos aríetes e aquelas temíveis máquinas trabalhavam sempre e o muro não pôde resistir aos golpes do maior, ao qual os judeus tinham dado o nome de Nicom, isto é, Vencedor. Cansados de tantos trabalhos e vigílias, porque os soldados que fazi­am guarda à noite estavam longe da cidade, quer porque não tivessem mais ânimo, quer por um mau conselho, julgaram não dever mais se obstinar na defesa desse muro, pois lhes restavam ainda outros dois. Os romanos, então, não encontrando mais resistência, entraram sem dificuldade pela brecha e abri­ram as portas ao restante do exército. Desse modo, no fim de quinze dias, a sete de maio, apoderaram-se desse primeiro muro, do qual derrubaram a mai­or parte, como também do quarteirão da cidade que está do lado do norte e que Céstio tinha devastado.

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