Capítulo 19 – Tito coloca seus aríetes em posição de funcionar. Grande resistência dos judeus. Dão uma vigorosa arremetida, chegando mesmo até o acampamento dos romanos, e teriam queimado suas máquinas, se Tito não o tivesse impedido, com seu extremo valor.
Depois que os romanos terminaram os trabalhos, lançaram um pedaço de chumbo preso a uma corda para medir o espaço que havia desde o terraço até o muro da cidade. Somente assim poderiam sabê-lo, porque os dardos que, de cima, os judeus lançavam, impediam-lhes aproximar-se dos mesmos. Quando viram que os aríetes poderiam chegar até lá, Tito ordenou que os dispuses-sem em ordem de batalha, mandou avançar as outras máquinas para impedir os ataques e as armas dos judeus, e mandou bater no muro em três lugares diferentes. O barulho de tantas máquinas que trabalhavam ao mesmo tempo não só assustou de tal modo os habitantes que faziam vibrar os céus com seus gritos, mas lançou o temor também no coração dos revoltosos. O grande perigo em que se encontravam, fê-los pensar em se reunir para defesa comum. Diziam, uns aos outros, que parecia que eles conspiravam contra sua ruína, para favorecer aos romanos e se Deus não permitisse que aquela união durasse sempre, eles deviam, pelo menos então, fazer todo o possível para combater os inimigos. Simão mandou em seguida dizer por meio de um arauto aos que estavam fechados no Templo, que podiam sair com todas as garantias; e embora João não confiasse muito nele, todavia não deixou de o fazer.
Assim, aqueles rebeldes terminaram a inimizade e uniram-se num único exército; depois de se terem distribuído pelas muralhas e pelas defesas, começaram a atirar grande quantidade de fogo e de dardos contra as máquinas dos romanos e contra os que manejavam os aríetes. Os mais corajosos saíam mesmo em grandes grupos, derrubavam os abrigos das máquinas e mostravam com seu extremo valor, que só lhes faltava ter tanta perícia da guerra quanto tinham de ousadia e de coragem. Tito, que estava sempre presente para auxiliar onde fosse preciso, colocou a cavalaria e arqueiros em redor das máquinas para repelir os que vinham incendiá-las; os que estavam nas torres não deixavam de atirar dardos para que os aríetes não pudessem trabalhar; mas o muro em que eles batiam era tão forte, que resistia aos seus golpes. O aríete da quinta legião abalou somente o canto da torre que se elevava sobre o muro, mas este ficou sempre firme, quando ela caiu.
Os judeus suspenderam temporariamente as incursões e aguardaram o momento quando os romanos estavam dispersos pelos campos, ocupados em seus trabalhos, porque julgavam que o cansaço e o medo tinham feito os judeus se retirarem. Estes saíram então pela porta falsa, da torre de Hípicos, incendiaram-lhes os trabalhos e chegaram até seu acampamento. Ante esse ruído, os que estavam mais próximos, reuniram-se; os que estavam mais longe vieram prontamente unir-se a eles. A coragem sobrepujou então a disciplina dos romanos. Os judeus por primeiro puseram em fuga os que encontraram e afugentaram os que se haviam reunido. O combate maior foi perto das máquinas. Fizeram de tudo para incendiá-las, mas os romanos também se esforçavam para impedi-lo. Gritos confusos erguiam-se de ambos os lados e vários dos que se encontraram nesse choque tão violento morreram na luta. A força e o desprezo pela morte que os judeus demonstraram nessa ocasião continuavam a lhes dar vantagem; os soldados recrutados em Alexandria sustentaram tão generosamente seu ataque que contra toda a expectativa naquele dia eles passaram por mais valentes que os romanos.
Tito então chegou com um grupo da sua melhor cavalaria; atacou com tanta força os inimigos, que ele sozinho matou doze, pôs os restantes em fuga e os perseguiu até as muralhas, preservando assim suas máquinas da destruição que já lhe parecia inevitável. Mandou crucificar, à vista dos mesmos judeus, um deles, aprisionado no combate, para ver se, com tal espetáculo, lançaria o terror em seu espírito. Depois que se retirou, um chefe dos idumeus, chamado João, querendo falar com um soldado que ele conhecia, foi morto por uma flecha, atirada por um árabe. Os judeus e mesmo os mais rebeldes lamentaram-no muito, porque era muito valente e não tinha menos valor que inteligência.
Comentários
Tão vazio aqui... deixe um comentário!