Capítulo 18 – Grandes efeitos das máquinas dos romanos e grandes esforços dos judeus para retardar os trabalhos.
O povo de Jerusalém, antes exposto à rapina e aos crimes dos revoltosos, que rasgavam com tanta crueldade as entranhas de sua capital, vendo-os agora tão ocupados em se defender, que não tinham tempo de voltar contra ele o seu furor, pôde respirar um pouco e até mesmo esperar que os romanos vingariam todos os males que eles haviam sofrido.
Os que tinham abraçado o partido de João opunham-se fortemente aos romanos, enquanto o temor que tinham de Simão o conservava encerrado no Templo.
Este, que estava mais perto do ataque e do perigo, mandou colocar sobre as muralhas todas as máquinas que outrora haviam sido tomadas de Céstio, perto da fortaleza Antônia, mas não tiravam delas grande vantagem, porque não sabiam usá-las bem e não tinham quem as manejasse. Faziam, porém, o que pedia, atiravam pedras e dardos do alto contra os romanos, faziam incursões e por vezes travavam lutas com eles. Os romanos, por seu lado, cobriam seus trabalhadores com telhas e cestões e não havia legião que não tivesse à sua frente máquinas maravilhosas para repelir os ataques. As da décima segunda legião eram as mais temíveis: as pedras que lançavam eram maiores que as outras, e iam tão longe que não somente derribavam os que faziam as incursões, mas iam matar mesmo junto dos muros e das defesas da cidade àqueles que lá estavam para defendê-la. As menores dessas pedras pesavam pelo menos um talento; seu alcance era de dois estádios e ainda mais, e sua força era tão grande, que depois de ter derribado os que estavam nas primeiras filas, matava ainda outros atrás deles. Mas freqüentemente os judeus as evitavam, tanto por causa do ruído que faziam como por sua alvura, o que lhes dava meios de evitar o perigo, porque haviam colocado vigias sobre as terras, os quais logo que as máquinas começavam a funcionar, eles os avisavam, gritando-lhes em hebraico: O filho vem e toma tal caminho. A esse sinal eles se lançavam por terra e as pedras passavam além, sem lhes fazer mal. Os romanos, tendo-o notado, mandaram pintar as máquinas de uma cor escura, o que lhes valeu muito, pois uma só pedra matava quase sempre muitos judeus. Mas nenhum perigo esfriava-lhes o ardor e a perseverança em atrapalhar os trabalhos dos romanos, e tudo eles faziam tanto de noite como de dia, para lhes retardar a obra.
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