Capítulo 4 – Martírio do primeiro dos sete irmãos.

Uma resposta tão corajosa e tão generosa pôs esse bárbaro príncipe em desespe­rado furor, porque ele não considerava somente aqueles sete irmãos como desobedientes, mas como ingratos, que desprezavam os favores que lhes queria fazer.

Os algozes para obedecer-lhe, começaram por arrancar as vestes do mais velho dos irmãos, amarraram-lhe as mãos às costas e o vergastaram com açoites, até rasgarem-lhe a carne. Estenderam-no depois na roda, onde se quebraram todas as partes de seu corpo; então ele dirigiu a palavra a Antíoco e disse: “Oh! crudelíssimo dentre todos os tiranos, que vos fiz para me pordes neste estado? Sou talvez um assassino ou violei com algum outro crime a lei de Deus? Não é justamente o contrário, porque eu a quero guardar, que me tratais deste modo?” Os guardas do príncipe então disseram-lhe: “Prometei comer esta carne e livrar-vos-eis de todos estes sofrimentos”. Ele, porém, respondeu: “Ministros da iniqüidade, por mais temível que seja esta roda, jamais o será para me fazer mudar de resolução. Cortai todos os meus membros em pedacinhos, consumi toda a minha carne no fogo, quebrai todos os meus ossos, eu vos mostrarei que não há tormento contra os quais os verdadeiros filhos dos judeus não saiam vencedores, por sua constância e por sua fé”. Enquanto ele assim falava os car­rascos acenderam o fogo sob aquela terrível roda, banhada de sangue, que jorra­va de seu corpo; via-se cair pelos raios a carne em pedaços, os ossos estavam todos quebrados e moidos. Mas no meio de tantos e tão horríveis sofrimentos esse generoso israelita, digno sucessor de Aarão, não soltou nem um suspiro. Como se o fogo não agisse sobre seu corpo, senão para torná-lo incorruptível e impassível, sua alma permanecia sempre numa atitude tão elevada, acima dos seus sofrimentos, que ele disse aos seus irmãos: “Agora não nos deve restar ne­nhum pensamento do presente século. Chegou a hora de mostrarmos a grande­za de alma que a torna vitoriosa sobre todos os sentimentos da natureza. Deve­mos responder com nossa coragem à honra que temos de ser incluídos nessa milícia santa, que nos obriga a dar nossa vida com alegria para cantarmos a glória de Deus. Ele é bom, é Todo-poderoso: toda nossa nação deve-lhe a nossa fidelidade; não há castigos que esse tirano não deva esperar de sua justiça”. Morreu, depois de ter dito estas palavras, e sua coragem invencível encheu de espanto a todos os que foram testemunhas do seu martírio.

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