Capítulo 7 – Nabucodonosor, rei da Babilônia, derrota Neco, rei do Egito, numa grande batalha e torna Jeoaquim, rei de Judá, seu tributário. Jeremias prediz a Jeoaquim as desgraças que lhe iriam suceder, e este deseja matar o profeta.

2 Reis 24. No quarto ano do reinado de Jeoaquim, rei de Judá, Nabucodonosor, rei da Babilônia, avançou com um grande exército até a cidade de Carabesa, junto do Eufrates, para fazer guerra à Síria. O príncipe desse país veio ao combate com grandes forças, e travou-se a batalha junto desse rio. Ele foi vencido e obrigado a se retirar, com muitas perdas. Nabucodonosor passou de­pois o Eufrates e conquistou toda a Síria até Pelusa. Não entrou dessa vez na Judéia, mas no quarto ano de seu reinado, que era o oitavo de Jeoaquim, avan­çou com um poderoso exército e ameaçou fortemente os judeus, caso não lhe pagassem tributo. Jeoaquim, atônito, resolveu aceitar a paz e pagou o tributo durante três anos.

No ano seguinte, porém, ante o boato de que o rei do Egito iria fazer guerra ao da Babilônia, recusou-se a continuar pagando. Foi enganado, todavia, em suas esperanças. Os egípcios não se atreveram a combater os babilônios, como tantas vezes afirmara o profeta Jeremias — ele havia predito que isso não aconte­ceria e que Jeoaquim punha em vão a sua confiança no auxílio egípcio. Dissera ainda esse profeta que o rei da Babilônia tomaria Jerusalém e que os judeus seriam feitos escravos.

Por mais verdadeiras que fossem essas profecias, entretanto, ninguém ne­las acreditava. Não somente o povo as desprezava, como também os grandes zombavam delas. E ficaram de tal modo enraivecidos pelo fato de ele só pre­dizer desgraças que o denunciaram ao rei, pedindo que o mandasse matar. Ele entregou o assunto ao seu conselho, do qual a maior parte foi de opinião que o condenassem. Outros, mais sensatos, aconselharam-no a mandá-lo embora sem lhe fazer mal algum, porque ele não fora o único a profetizar as desgraças que deveriam acontecer a Jerusalém. O profeta Miquéias e outros ainda haviam profetizado a mesma coisa, sem que os reis que então viviam os tivessem maltratado por esse motivo. Ao contrário, haviam-nos honrado como profetas de Deus.

Assim, embora condenado à morte pela maior parte dos votos, Jeremias teve a sua vida preservada graças a esse conselho tão sensato. Ele escreveu todas essas profecias num livro e leu publicamente tudo o que nele havia escrito. Fez isso diante do povo que estava reunido no Templo depois de um jejum geral, no nono mês do quinto ano do reinado de Jeoaquim,- anun­ciando o que aconteceria à cidade, ao Templo e ao povo. Os principais da assembléia arrancaram-lhe o livro das mãos, disseram a ele e a Baruque, seu secretário, que se retirassem para um lugar onde eles não os pudessem en­contrar e levaram o livro ao rei. Ele mandou que fosse lido e ficou tão irrita­do que o rasgou e jogou-o no fogo. Ordenou então que fossem buscar Jeremias e Baruque a fim de matá-los. Porém eles já haviam fugido para evitar o furor do rei.

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