Capítulo 6 – Josias, rei de judá, opõe-se à passagem do exército de Neco, rei do Egito, que ia fazer guerra aos medos e aos babilônios. É ferido por uma flechada, de que vem a morrer. Jeoacaz, seu filho, sucede-o e é muito ímpio. O rei do Egito leva-o prisioneiro. Quando ele morre, o rei do Egito faz rei em seu lugar a Eliaquim, irmão mais velho de Jeoacaz, a quem chama de Jeoaquim.

Neco, rei do Egito, levado pelo desejo de se tornar senhor da Ásia, mar­chou para o Eufrates com um grande exército, para fazer guerra aos medos e aos babilônios, que haviam devastado o império da Assíria. Quando chegou próxi­mo da cidade de Megido, no reino de Judá, o rei Josias opôs-se à sua passagem. Neco mandou dizer-lhe por meio de um arauto que não era a ele que pretendia atacar, mas que marchava para o Eufrates, e que ele não se devia opor à sua passagem, pois isso o obrigaria, contra a sua intenção, a declarar-lhe guerra.

Josias não se deixou comover por essas razões. Permaneceu em sua resolução, e parece que a sua infelicidade o levava a demonstrar tão grande altivez. Pois, enquan­to dispunha o exército para a batalha e ia de coluna em coluna, sobre o seu carro, animando os soldados, um egípcio atirou-lhe uma flecha. Ficou tão ferido que a dor o obrigou a ordenar ao exército que se retirasse, e ele voltou a Jerusalém, onde veio a morrer por causa do ferimento. Foi sepultado com grande pompa, no sepulcro de seus antepassados, após viver trinta e nove anos, dos quais reinou trinta e um.

O povo ficou imensamente aflito com a perda de tão grande príncipe. Lamen­tou-o durante vários dias, e o profeta Jeremias compôs versos fúnebres em seu louvor, os quais ainda hoje são conhecidos. Esse profeta também predisse — e deixou por escrito — os males que haveriam de afligir Jerusalém e o cativeiro que sofremos sob os babilônios. Nisso ele não foi o único, pois o profeta Ezequiel, antes dele, compusera também dois livros sobre esse mesmo assunto. Eles eram ambos da casta sacerdotal, e Jeremias ficou em Jerusalém, desde o ano terceiro do reinado de Josias até a destruição da cidade e do Templo, como direi a seu tempo.

Depois da morte de Josias, seu filho Jeoacaz, que ele tivera de Hamutal, sucedeu-o. Ele tinha vinte e três anos e foi muito ímpio. O rei do Egito, vol­tando da guerra de que acabamos de falar, mandou dizer-lhe que viesse a Hamate, que é uma cidade da Síria. Lá chegando, fê-lo prisioneiro e como rei em seu lugar colocou Eliaquim, seu irmão mais velho, porém filho de outra mãe, de nome Zebida, que era da cidade de Ruma. Deu ao novo rei o nome de Jeoaquim e obrigou-o a pagar todos os anos um tributo de cem talentos de prata e um talento de ouro. Levou Jeoacaz ao Egito, onde ele morreu. Jeoacaz reinou somente três meses e dez dias. O rei Jeoaquim, filho de Zebida, foi também um príncipe muito mau. Não tinha temor de Deus nem bondade para com os homens.

Comentários

Tão vazio aqui... deixe um comentário!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Barra lateral