Capítulo 46 – O que aconteceu com Simão e João, os dois chefes dos revoltosos.

Parece, pelo que acabo de dizer, que nenhum acidente humano, nem flagelo algum mandado por Deus, jamais causaram a ruína de um tão grande número de pessoas, como o dos que pereceram pela peste, pela fome, pelas armas e pelo fogo, durante esse cerco, ou que foram levados como escravos pelos romanos. Os solda­dos rebuscaram até nos esgotos e nos sepulcros, onde mataram a todos os que ainda estavam vivos e desses encontraram mais de dois mil que se haviam matado uns aos outros ou a si mesmos, ou que tinham sido mortos pela fome. O mau cheiro que saía desses lugares infectados era tão grande, que vários, não podendo suportá-lo, abandonavam-no. Mas outros sabendo que lá estavam escondidas muitas rique­zas, não tiveram receio de pisar aqueles cadáveres para procurá-las, e satisfazer assim à sua insaciável ambição. De lá retiraram-se várias pessoas que João e Simão tinham feito prender acorrentadas; a crueldade desses tiranos era maior do que mesmo no extremo a que se encontravam reduzidos. Mas Deus os castigou como eles mereci­am. João, que se havia escondido num esgoto, com seus irmãos, foi atormentado de tal fome que, não podendo suportá-la, implorou a misericórdia dos romanos, que ele tinha tantas vezes insolentemente desprezado. Simão, depois de ter combatido contra a má sorte, entregou-se a eles como diremos em seguida. Foi reservado para o triunfo e João condenado à prisão perpétua. Os romanos queimaram o que restava da cidade e derribaram-lhe as muralhas.

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