Capítulo 25 – Tito, para assustar os judeus, manda desfilar na sua presença todo o exército. Organiza depois dois ataques contra o terceiro muro e manda ao mesmo tempo Josefo, autor dessa história, exortar os rebeldes a pedir-lhe a paz.

Tito resolveu então atacar o terceiro muro. Mas como julgava não ter necessidade para isso de muito tempo quis dar a oportunidade aos rebeldes de voltarem à obediência, na persuasão de que a destruição do segundo muro faria muita impressão no seu ânimo; pois a carestia também era tão grande, que eles não podiam, com todos os seus roubos, subsistir por muito tempo, ao passo que seu exército estava provido de tudo. Chegou o dia em que ele devia fazer uma exibição de todas as suas tropas; dispô-las em ordem de batalha, nos arrabaldes, num lugar onde os judeus as podiam ver e mandou pagar o soldo a todos os homens. Jamais infantaria foi mais bem armada, nem cavalos, tão bem ajaezados; via-se brilhar o ouro de todos os lados e também a prata naquele grande espaço que elas ocupavam. Mas, quanto tal espetáculo era agradável aos romanos, tan­to parecia terrível aos judeus. Eles tinham vindo de todas as partes, em tão gran­de número, para ver aquela exibição, que o antigo muro de todo o lado do Templo, do lado do norte, e as casas daquele quarteirão estavam cheios. Até mesmo os mais corajosos não puderam considerar sem grande estupefação tão poderosas forças, tão bem armadas e organizadas; teriam talvez mudado de sen­timento e de idéias se tivessem esperado obter dos romanos o perdão dos crimes horríveis que eles tinham cometido contra aquele pobre povo. Mas só tendo diante dos olhos o horror dos suplícios, que eles mereciam, julgaram preferível morrer com as armas na mão. A isso podemos acrescentar que Deus assim o permitia, para misturar os inocentes com os culpados e a ruína de Jerusalém, com a daqueles celerados, que poderíamos dizer, com verdade, terem sido os seus mais mortais inimigos.

Depois, durante quatro dias, Tito mandou distribuir víveres a todas as regiões e vendo que os judeus não falavam de paz, dividiu seu exército em dois, para formar dois ataques do lado da fortaleza Antônia, perto do sepulcro do sumo sacerdote João, e trabalhar num e noutro em levantar dois terraços em cada um dos quais encarregava-se toda uma legião. Os idumeus e os outros que eram do partido de Simão perturbavam muito os que trabalhavam perto do sepulcro e os partidários de João, os que trabalhavam perto da fortaleza Antônia, porque, além da vantagem que eles tinham de combater de um lugar mais ele­vado, serviam-se utilmente de suas máquinas, de que, pouco a pouco, tinham aprendido o uso. Tinham umas trezentas delas, a que chamavam de balestas ou grandes balesteiros e quarenta das que atiravam pedras.

Tito não tinha dúvidas em apoderar-se da praça, mas como desejava conservá-la, procurava, ao mesmo tempo, em que apertava o cerco, levar os judeus a se arrependerem de sua revolta, porque ele sabia que as razões são, às vezes, mais poderosas que as armas. Julgou dever unir os conselhos às ações, sem se obstinar mais recusando entregar-lhe uma praça que já deveriam consi­derar como tomada. Ele lançou para esse fim suas vistas sobre Josefo, que jul­gava o mais capaz de todos, para persuadi-los, porque era de sua nação e falava a sua língua.

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