Capítulo 14 – Luta entre o povo e os zelotes, que são obrigados a abandonar o primeiro recinto do Templo e a se retirar para o interior do mesmo, onde Anano os cerca.

Anano, vendo o povo tão bem disposto, escolheu os que julgou mais aptos para tal empresa e os organizou. Os zelotes, que tinham espiões, foram avisados de sua intenção; atacaram-nos com pequenas tropas e confusamente, e não perdoaram a um só dos que puderam apanhar. Anano, então, reuniu o povo. Eram mais numerosos que os inimigos, mas os zelotes estavam muito bem arma­dos; a coragem supria de ambos os lados ao que faltava. Os habitantes, vendo-se com armas na mão, reduplicaram sua animosidade contra aqueles ímpios; os zelotes, sua ousadia. Os primeiros estavam persuadidos de que sua segurança dependia do extermínio daqueles malvados e estes sabiam muito bem que não havia recurso para eles, entre a vitória e o suplício. Com essa disposição iniciaram a luta. Os zelotes tinham a vantagem de estar acostumados a obedecer aos seus chefes.

O primeiro combate travou-se perto do Templo, a pedradas; os que fugiam eram mortos a golpes de espadas, pelos inimigos. Assim, muitos, de ambos os lados, foram mortos na luta; os feridos, do lado dos habitantes, eram levados para suas casas, os zelotes levavam os seus para o Templo, sem temer violar a santidade de nossa religião, manchando-o de sangue. Mas os zelotes tinham sempre vantagem.

O povo, cujo número crescia, não podendo mais tolerá-lo, irritou-se contra os que demonstraram pouca coragem, e em vez de lhes dar passagem, para fugir, obrigava-os a voltar ao combate; todos marchavam em seguida, unidos; os zelotes não lhes puderam resistir, e fugiram. Anano perseguiu-os com entusiasmo e os obrigou a abandonarem o primeiro recinto que ocupavam, para se retirar no interior e fechar as portas do Templo. O respeito de Anano por aquelas portas santas, fez que não ousasse arrombá-las. Embora os zelotes lançassem dardos, do alto, ele não julgou, em consciência, poder, quando mesmo os tivesse venci­do, permitir que o povo entrasse no Templo, antes de ser purificado. Contentou-se em escolher naquele grande número, seis mil dos mais bem armados, para pô-los de guarda junto dos pórticos e determinou que seriam sucessivamente substituídos por outros seis mil. Os mais ilustres, disso não estavam isentos; mas quando chegava sua vez de entrar de guarda, tomavam entre o povo outras pessoas, às quais pagavam para ir em seu lugar.

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