Capítulo 10 – Vespasiano chega a Roma. Alegria extraordinária do Senado, do povo e dos soldados. Como eles a manifestam.
Tito estava muito apreensivo a respeito do resultado da viagem do imperador, seu pai, quando soube, com enorme satisfação, por cartas dele mesmo, que todas as cidades da Itália e Roma, particularmente, o haviam recebido com grandes demonstrações de júbilo e alegria; na verdade, ele não tinha motivos para se admirar, porque o afeto que lhe dedicavam era tão grande e tão geral, que todos estavam impacientes por vê-lo. O Senado, que ainda se lembrava dos males sucedidos na mudança de imperadores, julgava-se bem feliz de ter por soberano um grande general cujos cabelos brancos e cuja glória, por tantos triunfos, tornavam venerável a todo o mundo e que possuía tanta virtude que não se podia duvidar de que haveria de empregar todos os seus esforços, para a felicidade de seus súditos. O povo considerava-o como um libertador, que não somente impediria a opressão, mas restituir-lhe-ia sua antiga tranqüilidade e abundância. Os soldados, mais que todos os outros, ardiam de desejo de vê-lo sobre o trono, porque, sendo testemunhas das batalhas que ele tinha gloriosamente vencido e da ignorância e covardia dos outros imperadores, que lhes haviam custado tão caro, julgavam-se felizes, por não temer mais sob seu governo, a vergonha que eles lhes tinham feito sofrer e achavam que ele somente seria capaz, ao mesmo tempo, de governá-los e de fazê-los conquistar muitas honras.
Com esse afeto tão geral, que as admiráveis qualidades do soberano lhe haviam granjeado, as pessoas mais ilustres, não podendo suportar a demora de vê-lo, foram, bem longe, ao seu encontro, seguidas por um grande número de pessoas levadas pelo mesmo desejo, que jamais compareceram à sua presença, nem mesmo quando ele já vivia em Roma. Quando se soube que ele se aproximava e com que bondade recebia todos os que haviam ficado, encheram as ruas, à sua passagem, com suas mulheres e filhos, atraídos pela afabilidade que lhe transparecia no semblante, no transporte de sua alegria, chamavam-no de benfeitor, libertador, o único digno do trono do império. Caminhava-se sobre flores; impregnadas de tantos perfumes, as ruas pareciam um Templo e a multidão era tão compacta que aquele feliz imperador, que todos consideravam como o pai da pátria, com dificuldade pôde chegar ao palácio. Ofereceu então sacrifícios aos deuses domésticos, para lhes dar graças de sua feliz ascensão ao poder, e em todas as famílias na cidade houve banquetes, em que se misturavam os amigos, os vizinhos, e geralmente todas as classes de pessoas que no seu regozijo pediam ardentemente a Deus que conservasse para o império, por longos anos, um tão excelente príncipe, que fizesse reinar seus filhos, depois dele, com a mesma felicidade e conservasse o cetro nas mãos de toda sua posteridade. Tal a entrada de Vespasiano em Roma, e não se pode imaginar a prosperidade que se lhe seguiu.
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