Capítulo 13 – Herodes inicia uma guerra contra os árabes por causa da proteção destes aos ladrões de Traconites.

Herodes, nesse mesmo tempo, viu-se obrigado a entrarem guerra com os árabes pelo motivo que passo a expor. Depois que Augusto tirou Traconites de Zenodoro para entregá-la a Herodes, os seus habitantes, não ousando continuar os assaltos que costumavam fazer, foram obrigados a se ocupar com o cultivo da terra. Embora esse trabalho fosse contrário à sua inclinação e a terra fosse muito estéril, de modo que pouco proveito dela tiravam, a vigilância de Herodes os impe­diu, durante algum tempo, de molestar os vizinhos, e nisso ele mereceu muitos elogios. Mas quando viajou a Roma para acusar Alexandre perante Augusto e recomendar-lhe Antípatro, correu a notícia de que ele havia morrido, e então eles retomaram o hábito de roubar os povos vizinhos, mas foram castigados pelos comandantes das tropas de Herodes.

Os principais desses ladrões, surpresos com os infelizes resultados, fugiram para a Arábia, onde Sileu, irritado por Herodes lhe haver recusado a irmã, rece­beu-os e deu-lhes asilo em um lugar defendido, de onde saíam para realizar assaltos na Judéia e na Baixa Síria e devastar os campos. Herodes, ao regressar de Roma, não conseguindo castigá-los como mereciam, porque eram protegidos pelos árabes, mas também não podendo admitir que tratassem daquele modo os seus súditos, entrou em Traconites e matou todos os que tinham parentesco com eles. Os outros ficaram furiosos e, obrigados por uma de suas leis, que os manda vingar a morte dos parentes, passaram a devastar, com impunidade, tudo o que encontravam nos domínios de Herodes, que então se dirigiu a Saturnino e a Volúmnio, constituídos por Augusto governadores daquelas províncias, pedin­do-lhes que os castigassem.

Essa queixa, todavia, em vez de atemorizar os ladrões, encolerizou-os ainda mais. Então, reuniram-se em grande número, cerca de mil homens, e intensifica­ram as incursões aos campos e aldeias, sem poupar nem um sequer dos que lhes caíam nas mãos. Já não se tratava mais de roubo ou depredação, mas de uma verdadeira guerra. Herodes pediu então insistentemente aos árabes que lhe entre­gassem aqueles ladrões e pagassem os seiscentos talentos que ele havia empresta­do ao rei Obodas, por meio de Sileu, pois o prazo para o pagamento já se esgotara. Mas Sileu, que expulsara Obodas e se apoderara do reino, adiava sempre o reem­bolso e afirmava que os ladrões não se haviam retirado para a Arábia. Por fim, Saturnino e Volúmnio ordenaram-lhe que efetuasse o pagamento dentro de trinta dias e que cada qual entregasse os trânsfugas que estivesse acolhendo. Viu-se en­tão a malícia dos árabes, pois não se encontrou ninguém dessa nação nas terras de Herodes, enquanto os ladrões se haviam retirado todos para a Arábia.

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