Capítulo 6 – Onias, filho de Onias, sumo sacerdote, constrói no Egito um templo semelhante ao de Jerusalém. Contestação entre os judeus e os samaritanos ante Ptolomeu Filometer, rei do Egito, com relação ao templos de Jerusalém e de Gerizim. Os samaritanos perdem a causa.

Onias, filho de Onias, sumo sacerdote, que, como dissemos, se retirara para Alexandria, a Ptolomeu Filometer, rei do Egito, vendo que a Judéia fora destruída pelos macedônios e pelos seus reis, e desejando eternizar-lhe a memó­ria, escreveu ao rei e à rainha Cleópatra para suplicar que lhe permitissem cons­truir no Egito um templo semelhante ao de Jerusalém e lá constituir sacerdotes e levitas de sua nação. Uma profecia de Isaías, que havia predito, cem anos antes, que um judeu edificaria no Egito um templo em honra ao Deus Todo-poderoso, fortaleceu ainda mais o seu desígnio.

Sua carta assim estava escrita: “Quando, com a ajuda de Deus, prestei a vossa majestade grandes serviços na guerra, notei, passando pela Baixa Síria, pela Fenícia e por Leontópolis, que é do governo de Heliópolis, e por outros lugares, que os judeus lá haviam construído diversos templos sem observar as regras necessárias para esse fim, o que causou entre eles grande divergência. Os egípcios cometem a mesma falta, pela multidão de templos e pela diversidade de seus sentimentos nas coisas da religião. Mas encontrei em um castelo chamado Bubaste, o Selvagem, um lugar muito apropriado para a construção de um templo, porque lá se encontram animais em abundância e outras coisas próprias para os sacrifícios, e onde já existe um tem­plo, meio destruído e que não está consagrado a divindade alguma, cuja demolição, se vossa majestade o permitir, poderá servir à construção de um outro, em honra ao Deus Todo-poderoso, que será semelhante ao de Jerusalém e nele se rogará pela prosperidade de vossas majestades e dos príncipes vossos filhos. Ele congregará to­dos os judeus que moram no Egito, porque eles aí se reunirão para cantar louvores a Deus, como o predisse profeta Isaías, nestas palavras: Haverá no Egito um lugar consagrado a Deus (ao que ele acrescenta diversas coisas referentes a esse lugar)”.

O rei Ptolomeu e a rainha Cleópatra, a qual era ao mesmo tempo sua mulher e irmã, mostraram a sua piedade em uma resposta cujos termos lançavam sobre Onias todo o pecado, se houvesse naquilo transgressão à Lei. Eis as palavras: “O rei Ptolomeu e a rainha Cleópatra a Onias, saudação. Vimos por vossa carta o pedido que nos fazeis de permitir-vos reconstruir o templo em rumas de Bubaste, o Selvagem, perto de Leontópolis, que é do governo de Heliópolis, e temos difi­culdades em crer que seja coisa agradável a Deus consagrar-lhe um templo num lugar tão impuro e cheio de animais. Como nos afirmais, todavia, que o profeta Isaías predisse há muito tempo que isso iria acontecer, nós vô-lo permitimos, caso seja coisa que se possa fazer sem desobedecer à vossa lei, pois não quere­mos absolutamente ofender a Deus”.

Onias, depois dessa permissão, construiu um templo igual ao de Jerusalém, contudo um pouco menor e não tão rico. Não lhe citarei as medidas nem os vasos que foram consagrados, pois disso já falei no sétimo livro da Guerra dos Judeus. Onias não teve dificuldade em encontrar entre os judeus sacerdotes e levitas com os mesmos sentimentos para servirem naquele templo.

Suscitou-se por aquele mesmo tempo, em Alexandria, uma tão grande ques­tão entre os judeus e os samaritanos, os quais haviam, sob o reinado de Alexandre, o Grande, construído um templo no monte Gerizim, que o rei Ptolomeu desejou ser informado a esse respeito. Os judeus diziam que o Templo de Jerusalém, tendo sido construído segundo as Leis de Moisés, era o único que devia ser reverenciado. Os samaritanos, ao contrário, sustentavam que o de Gerizim era o verdadeiro.

O soberano reuniu um grande conselho para decidir a questão, e começou por dizer que os advogados que perdessem a causa seriam condenados à morte. Sabeu e Teodósio falaram pelo samaritanos, e Andrônico, filho de Messalam, pelo judeus e pelos de Jerusalém. Todos protestaram com juramento, diante de Deus e do rei, que não trariam outras provas senão as da Escritura e da Lei e rogaram ao soberano que mandasse matar aqueles que violassem o juramento. Os judeus de Alexandria estavam muito aflitos por aqueles que defendiam a sua causa e não podiam ver, sem extrema dor, que se pusesse em dúvida o direito do mais antigo e augusto Templo do mundo.

Sabeu e Teodósio consentiram que Andrônico falasse primeiro, e ele demons­trou, por meio de provas tiradas da Lei e pela série contínua dos sumo sacerdo­tes, a santidade e a autoridade do Templo de Jerusalém. Provou-as também pe­los ricos e magníficos presentes que todos os reis da Ásia haviam oferecido e pela honra que lhe prestaram, os quais não tinham, ao invés, nenhum apreço pelo Templo de Gerizim. A isso ele acrescentou outras razões, persuadindo o rei de tal modo que ele declarou que o Templo de Jerusalém era o que realmente fora construído conforme as Leis de Moisés. E mandou matar Sabeu e Teodósio.

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