Capítulo 5 – Incrível feito de valor de um sírio de nome Sabino, que subiu sozinho ao alto da brecha e foi morto.
Embora as palavras de tão generoso chefe devessem inspirar uma coragem extraordinária, a magnitude do perigo tinha causado tal impressão nos espíritos, que ninguém se apresentou para o assalto, exceto um sírio, de nome Sabino, cujo aspecto era tão esquisito, que dificilmente seria tido como soldado. Era negro, magro, baixo, de compleição extremamente débil, mas aquele corpo pequeno era animado por uma grande alma, tanto que ele pode ser tido por um herói. Apresentou-se a Tito e disse-lhe: “Ofereço-me com alegria, grande príncipe, para subir por primeiro à brecha, para dar o assalto e executar vossas ordens; desejo que vossa boa sorte secunde minha afeição. Se isso não acontecer e eu morrer antes de ter podido alcançar o alto da brecha, não deixarei de ter obtido o meu intento, pois me proponho a mim mesmo apenas a glória e a felicidade de empregar minha vida ao vosso serviço”. Depois de ter assim falado, tomou o escudo na mão esquerda, cobriu com ele a cabeça e segurando a espada com a direita, subiu, pelas seis horas, ao alto; seguido por onze outros, que quiseram imitá-lo; adiantou-se mais que eles com uma coragem sobre-humana, embora os inimigos lhe atirassem sem cessar uma nuvem de dardos e de flechas e rolassem também grandes pedras, que derribaram alguns dos que o seguiam. Assim, sem que nada fosse capaz de detê-lo, ele chegou ao alto do muro; tanta coragem assustou de tal modo os judeus que, pensando que ele era seguido por muitos outros, abandonaram a brecha. Como temos motivo de acusar nessa ocasião a sorte! Como a inveja parece sentir prazer em prejudicar os feitos heróicos! Sabino, depois de ter tão gloriosamente executado a sua empresa, foi atingido por uma pedra que o derrubou. O barulho da queda fez os inimigos voltarem a si e eles viram que ele estava sozinho, caído por terra. Atiraram-lhe então uma grande quantidade de dardos; nada, porém, era capaz de abater tão grande coragem e ele se defendia de tal modo, de joelhos, sempre coberto pelo escudo e sem abandonar a espada, que feriu ainda vários dos que dele se aproximaram; a quantidade, porém, de golpes que havia recebido, por fim, diminuíram-lhe as energias, ele não pôde mais segurar a espada e foi morto.
Assim o êxito correspondeu à dificuldade da empresa, embora sua coragem bem merecesse outro desfecho. Dos onze que o haviam seguido, três foram mortos a pedradas, quando já estavam bem perto do alto do muro, os outros oito voltaram bastante feridos para o acampamento. Isto se deu a três de julho.
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