Capítulo 4 – Resposta ao que, para afirmar que a nação dos judeus não é antiga, se disse, que os historiadores gregos não falam dela.

Quero agora refutar aqueles que procuram fazer crer que nossa disciplina e a forma de nosso governo não são antigas. Eles não citam outra razão, que esta, isto é, que os autores gregos disso não falam. Citarei em seguida provas da antigüidade de nossa nação, tiradas dos escritos dos outros povos e mostrarei a malícia daqueles que nos tratam desse modo.

Como o país que habitamos está afastado do mar, nós não nos damos ao comércio e não temos comunicação com as outras nações. Contentamo-nos em cultivar nossas terras que são muito férteis e trabalhamos principalmente em educar bem nossos filhos, porque nada nos parece tão necessário como instruí-los no conhecimento de nossas santas leis e numa verdadeira piedade que lhes inspira o desejo de as observar. Estas razões, unidas ao que já disse, e a essa maneira de viver que nos é própria, fazem ver que nos séculos passados não tivemos comunicação alguma com os gregos, como os egípcios e os fenícios, que habitam em províncias marítimas e negociam com eles, pelo desejo de se enriquecerem; nossos pais não fizeram, como outras nações, incursões sobre os vizinhos, nem lhes fizeram guerra, pelo desejo de aumentar suas propriedades, embora fossem em grande número e muito valentes. Não se deve, portanto, achar estranho que os egípcios, os fenícios e os outros povos que navegam nos mares tenham sido conhecidos pelos gregos e de que os medos e os persas também o tenham sido, em seguida, pois eles reinavam na Ásia, e os persas levaram a guerra até a Europa. Os trácios, do mesmo modo, foram conhecidos deles, porque lhes estão muito próximos. Os citas, ou tártaros, foram-no por meio dos que navegavam no mar do Ponto; geralmente, todos os que moram ao longo dos mares orientais e ocidentais foram-no, daqueles que quiseram escre­ver alguma coisa, do que a eles se refere. Quanto aos povos que habitam as terras afastadas do mar, permaneceram-lhes desconhecidos, durante um longo tempo e a mesma coisa aconteceu na Europa, como parece, porque ainda que os romanos se tivessem há muito elevado a tão grande poderio e tivessem venci­do tantas guerras, Heródoto, Tucídides e os outros historiadores que escreveram nesse mesmo tempo não fazem menção deles, porque os gregos deles tiveram conhecimento somente muito tarde. Sua ignorância sobre as Gálias e a Espanha foi tal, que aqueles que passam pelos mais exatos, como Éforo, imaginaram que a Espanha, que ocupa no Ocidente uma grande extensão de terra, era apenas uma cidade e nada referem nem dos costumes dessa província, nem do que ali se passa. Seu afastamento fê-los ignorar a verdade e o desejo de parecer melhor informados do que os outros, fê-los escrever coisas inverídicas.

Há, pois, motivo de se admirar que nossa nação, não estando próxima do mar, não fazendo alarde de escrever, e vivendo da maneira como eu disse, tenha sido pouco conhecida? Se para me servir do mesmo raciocínio dos gregos eu citasse, para provar que sua nação não é antiga, que dela nada está escrito entre os nossos, não zombariam eles de mim e não apresentariam como testemunha do contrário, os povos que lhes são vizinhos? Deve-me, pois, ser permitido fazer o mesmo, servir-me entre outras coisas do mesmo testemunho dos egípcios e dos fenícios, que eu não temo, que me acusem de falsidade, embora os egípcios nos odeiem e os fenícios não nos amem e particularmente os de Tiro sejam nos­sos inimigos. Não direi o mesmo dos caldeus, pois eles reinaram sobre a nossa nação e falam de nós em vários lugares de seus escritos.

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