Capítulo 39 – Esperança que restava aos revoltosos e crueldade que eles continuam a praticar.

A única esperança que restava àqueles malvados que tinham exercido tão cruel tirania, era esconder-se nos esgotos, até que os romanos se tivessem retirado, depois da destruição completa da cidade, e saírem então sem nada mais temer. Com essa deliberação, que era um mero sonho, pois eles não se poderiam furtar à justiça de Deus e à vigilância dos romanos, eles punham fogo de todos os lados, ainda com muito mais ardor que os próprios romanos, e mas­sacravam e despojavam a todos os que, para evitar morrer queimados, fugiam para aqueles lugares subterrâneos. A fome, entretanto, era tão grande que eles devoravam tudo o que podia servir de alimento, embora manchado de sangue e eu não duvido de que se o cerco tivesse durado mais, sua desumanidade os teria levado a comer mesmo a carne daqueles que eles massacravam, pois que já se matavam uns aos outros, por questões na partilha dos furtos e rapinas.

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