Capítulo 2 – Sobre um certo Zamarias, judeu, que era um homem de grande virtude.
Herodes para poder estabelecer inteira segurança na Traconítida, fortificou uma aldeia que estava no meio país, tornou-a tão grande como uma cidade, lá colocou uma guarnição que fazia incursões sobre os inimigos. Em seguida, tendo sabido que um judeu, chamado Zamaris, que tinha vindo de Babilônia, com quinhentos cavaleiros, armados de aljavas e de flechas e quase todos seus parentes, se tinha estabelecido, com a permissão de Saturnino, governador da Síria, num castelo de nome Valate, perto de Antioquia, mandou chamá-lo com todos os seus, prometeu-lhe dar terras no território de Batanéia, que está na fronteira da Traconítida e isentá-lo de todos os impostos, com a condição de que ele se opusesse às incursões que se poderiam fazer contra o país. Zamaris aceitou o oferecimento e construiu castelos e uma aldeia, a que chamou Batira. Assim ele defendia o país contra os ataques dos traconítas e preservava de seus roubos os judeus, que vinham de Babilônia a Jerusalém, para lá oferecer sacrifícios.
Muitos daqueles que observavam religiosamente as leis dos nossos antepassados uniram-se a ele, e esse país povoou-se rapidamente, por causa das imuni-dades concedidas por Herodes e das quais gozaram durante todo o seu reinado. Mas Filipe, seu filho, tendo-o substituído no reino, tirou alguma coisa deles, pouco, na verdade, e durante pouco tempo. Agripa, o Grande, e seu filho, que tinha o mesmo nome, fizeram sobre eles grandes imposições, mas deixaram-nos gozar de sua liberdade, e os romanos agiram do mesmo modo, como diremos a seu tempo. Zamaris que era um homem muito virtuoso, deixou filhos semelhantes a ele, e dentre outros, um de nome jacim que, de tal modo se distinguiu pelo seu valor, que acompanhava sempre os reis, com um grupo dos seus. Morreu muito idoso e deixou um filho de nome Filipe, de virtude tão elevada e de tantos méritos, que o rei Agripa não somente teve por ele uma afeição muito particular, mas o fez general de seu exército.
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