Capítulo 14 – Os judeus protestam de tal modo contra Pilatos, governador da Judéia, que tinha feito entrar em Jerusalém bandeiras onde estava o retrato do imperador, que ele as manda retirar. Outra agitação dos judeus, que ele castiga. *

_____________________________

* Este registro também se encontra no Livro Décimo Oitavo, capítulo 4, Antigüidades Judaicas, Parte I.

 

Pilatos foi mandado por Tibério, como governador da Judéia; dias depois, à noite, fez entrar em Jerusalém umas bandeiras onde estava o retrato do imperador. Os judeus ficaram tão atônitos e irritados com isso que surgiu, três dias depois, uma grande agitação, porque eles consideravam aquele ato uma violação de suas leis, as quais proíbem expressamente em suas cidades figuras de homens e de animais. O povo dos campos veio também de todos os lugares a Jerusalém e todos foram em grandíssimo número procurar Pilatos, em Cesaréia, para pedir-lhe que mandasse retirar da cidade aquelas bandeiras e lhes conservasse seus privilégios. Ele respondeu que não podia fazê-lo e os judeus então lançaram-se por terra, em redor de sua casa, e assim ficaram durante cinco dias e cinco noites. No sexto dia Pilatos compareceu ao tribunal que mandara erguer expressamente para os exercícios públicos e fez vir aquela grande multidão, como para atendê-la, mas a enganou, ordenando que os soldados a rodeassem de todos os lados. Pode-se imaginar o terror que tal ato cau­sou. Pilatos disse-lhe que a mandaria matar, se se negasse a receber aquelas bandei­ras e ordenou aos soldados que puxassem das espadas. A estas palavras todos os judeus lançaram-se por terra, como tinha combinado antes, e apresentaram-lhes a garganta, dizendo que preferiam ser mortos a consentir na violação de suas santas leis. Tal firmeza e zelo tão ardente pela religião causaram grande admiração a Pilatos; ele ordenou no mesmo instante que levassem as bandeiras para fora de Jerusalém.

A essa perturbação seguiu-se outra. Nós temos um tesouro sagrado a que chamamos de Corbã, e Pilatos, que então estava em Jerusalém, quis apoderar-se do dinheiro para construir aquedutos para a cidade, pois as fontes estavam muito longe, mais ou menos uns quatrocentos estádios.** O povo revoltou-se de tal modo, que se reuniu, de todas as partes, para protestar. Não teve ele dificul­dade em compreender que assim facilmente se provocaria uma revolução; deu ordem aos soldados que tirassem as vestes militares e se disfarçassem em ho­mens do povo, e misturando-se à multidão os atacassem não com armas, mas a pauladas, quando ele começasse a gritar. Tudo estava assim preparado: ele deu o sinal convencionado e os soldados executaram a ordem. Muitos jovens morre­ram, outros foram pisoteados pela multidão, quando procuravam fugir. Tão se­vero castigo assustou aquela gente e a sedição terminou.

 

____________________________

** Antigüidades Judaicas, Parte I, n° 271, diz duzentos estádios.

Comentários

Tão vazio aqui... deixe um comentário!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Barra lateral