Capítulo 13 – Josefo manda erguer um muro mais alto que o terraço dos romanos. Os sitiados sentem falta de água e Vespasiano tenta tomar a cidade pela fome. Um estratagema de Josefo o faz mudar de idéia e ele volta a empregar a força.

Depois que Vespasiano levantou aquele terraço, quase tão alto como os muros da cidade, Josefo achou que seria vergonhoso não fazer também alguma obra grandiosa para defender a cidade, maior ainda que a que os romanos haviam feito para atacá-la. Assim, resolveu construir um muro muito mais alto do que o terraço. Na impossibilidade de trabalhar, que os operári­os alegavam, por causa da grande quantidade de dardos atirados continua­mente pelos romanos, ele achou um meio de eliminar aquela dificuldade: mandou fincar na terra grossos postes, aos quais ataram peles de boi, mor­tos recentemente, cujas dobras não somente tornavam inúteis os golpes dos dardos e das flechas, mas diminuíam a força das pedras lançadas pelas máquinas e amorteciam a do fogo por sua umidade. Assim, com essa forte defesa, com esse poderoso abrigo, pôs os operários em condições de traba­lhar, sem nada temer; trabalharam dia e noite, com tanto entusiasmo que fizeram um muro de vinte côvados de altura, fortificado com várias torres, com ameias.

Esse recurso, unido à constância invencível dos sitiados, causou grande admi­ração aos romanos, que já se julgavam senhores da cidade, e Vespasiano não ficou menos irritado do que surpreso, por ver que a habilidade de Josefo e a coragem que aquela nova fortificação inspirava aos judeus lhes dava tanta cora­gem que não se passava um dia, em que eles não fizessem várias incursões, nas quais atacavam os romanos e levavam o que lhes caía nas mãos para a cidade e incendiavam alguns lugares.

Depois de tentar tudo o que pensou ser útil, achou que seria melhor, em vez de continuar a atacar a praça, obrigá-la a se entregar pela fome, fazendo com que os sitiados desistissem antes de se verem reduzidos aos extremos, ou, se eles teimassem em continuar, recomeçariam os ataques, quando a fome os tivesse de tal modo enfraquecido, que seria fácil vencê-los. Depois destas resoluções man­dou vigiar cuidadosamente todas as passagens.

Os sitiados tinham muito trigo e todas as outras coisas necessárias, menos sal, mas faltava-lhes água, pois não tendo fontes na cidade eram obriga­dos a usar somente a que caía do céu. Porém chovia pouco no verão, época em que se dava aquele assédio. Josefo, vendo que era aquele o único empecilho que os afligia, e que todos os seus soldados demonstravam muita coragem, mandou distribuir a água, em medidas, a fim de prolongar o assédio, muito mais do que os romanos esperavam. Essa ordem aborreceu o povo, que não quis receber tal limitação, como se não houvesse mais água, recusando-se a trabalhar.

Os romanos souberam de tudo, porque os viam, de cima da colina, se reu­nirem no lugar onde se lhes davam a água racionada, e mataram até mesmo alguns a golpes de dardos. Acabou-se depressa a água dos poços e Vespasiano esperava que a praça se entregasse. Mas Josefo, para tirar-lhe aquela esperan­ça, mandou colocar nas ameias dos muros uma grande quantidade de panos encharcados de água, o que encheu de admiração e ao mesmo tempo irritou os romanos, porque eles não podiam imaginar que, se esta lhes faltava para o sustento da vida, usassem dela, com tanta profusão, daquele modo. Dessa for­ma, Vespasiano não mais se iludiu com a esperança de tomar a praça pela fome e voltou a empregar a força, que era justamente o que os judeus desejavam, porque vendo-se perdidos irremediavelmente, preferiam morrer com as armas na mão do que de sede ou de miséria, josefo serviu-se de um outro meio para obter mais água. Havia do lado do ocidente um riacho tão fundo que os roma­nos não montavam muita guarda daquele lado. Ele escreveu aos judeus que estavam fora da cidade que lhe trouxessem de noite, por ali, água e outras coisas de que necessitavam; para isso, deveriam se cobrir com peles e andar de quatro a fim de que os inimigos os tomassem por cães ou outros animais; assim se fez, até que os romanos perceberam-nos e fecharam-lhes a passagem.

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