Capítulo 12 – Descrição de Jotapate. Vespasiano manda preparar uma grande plataforma como um terraço, para de lá atacar a cidade. Esforços dos judeus para retardar esse trabalho.

A cidade de Jotapate está quase toda construída sobre um rochedo es-carpado e rodeada de três lados por vales tão profundos que a vista não lhe consegue ver o fundo. O único lado, que está ao norte, e onde ela está situada, no penedo da montanha, é acessível; mas Josefo havia mandado fortificá-lo e encerrá-lo dentro da cidade a fim de que os inimigos não pudessem se aproxi­mar do alto da montanha que a dominava, e outras montanhas, que estavam em redor da cidade, ocultavam-lhe a vista de tal modo que não se podia perceber o que havia lá dentro. Tal a situação de Jotapate.

Vespasiano, vendo que tinha de combater ao mesmo tempo contra a natureza, que tornava aquela praça tão forte, e contra a obstinação dos judeus em defendê-la, reuniu os principais oficiais do seu exército para deliberar a res­peito dos meios de como atacar ainda com mais vigor aquela cidade. Tomaram a resolução de levantar um grande terraço do lado da cidade, que era o de mais fácil acesso.

Empregou para isso todo o exército, reunindo o material necessário. Tiraram grande quantidade de madeira e de pedra das montanhas vizinhas; fizeram cou­raças em grande número, para proteger os operários contra os dardos atirados da cidade. A terra era trazida dos lugares próximos e passada de mão em mão, continuamente, sem parar; como todos no exército trabalhavam com grande solicitude, a obra progredia muito. Os judeus, para impedi-lo, atiravam-lhes dar­dos do alto das muralhas, pedras enormes, sobre a couraça dos trabalhadores, que causavam enorme ruído e atrasavam o serviço, embora não pudessem impe­dir que eles continuassem a trabalhar.

Vespasiano montou então cento e sessenta máquinas que atiravam sem grande quantidade de dardos contra os que defendiam as muralhas. Man­dou também colocar em posição outras máquinas maiores, das quais algu­mas lançavam dardos e outras grandes pedras; ao mesmo tempo, os árabes atiravam tanto fogo e tantas flechas, bem como outros arqueiros de dardos, que todo o espaço entre os muros e o terraço estava tão cheio deles que parecia impossível abordá-lo por ali. Nada, porém, intimidava os judeus; eles não deixavam de fazer incursões; arrancavam as fortificações e outras defesas. Vespasiano reconheceu que o espaço vazio entre as aberturas des­sas obras dava lugar aos sitiados de o atravessar; mandou então fechá-las, e não ficou mais nem um intervalo; levou depois todas as forças para aquele lugar, e tirou aos judeus a oportunidade de lhe interromper os trabalhos com novas incursões.

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