Capítulo 21 – Tito ataca o segundo muro de Jerusalém. Esforços incríveis dos judeus e dos romanos.
Tito acampou no lugar que é denominado Campo dos Assírios, ocupou o espaço do vale de Cedrom, distante do segundo muro apenas ao alcance de uma flecha; e resolveu atacá-lo. Os judeus dividiram-se para defendê-lo e resistiram corajosamente. |oão combatia com os seus na fortaleza Antônia e do alto do pórtico do Templo, que está do lado do norte, perto do sepulcro do rei Alexandre. Simão, com os do seu partido, defendia a passagem que está entre o sepulcro do sumo sacerdote João e a porta dos aquedutos que levavam água para a torre de Hípicos. Faziam freqüentes arremetidas e por vezes combatiam corpo-a-corpo com os romanos. Mas a vantagem que a disciplina destes lhes dava sobre eles os obrigava a se retirarem com perdas. O contrário sucedia nos assaltos, porque, por maior que fossem a coragem dos romanos e sua prática na guerra, a coragem dos judeus, aumentada pelo temor, unida ainda a tantos males que haviam sofrido, os endureceram na luta e os fazia empregar tanta violência que obrigavam os inimigos a recuar. A esperança de encontrar salvação na resistência os animava; e o desejo de terminar o grande assédio com uma vitória imediata, animava os romanos, sem que o ardor que se demonstrava de parte a parte, se enfraquecesse por tantos e tão extremas dificuldades. Passavam-se dias inteiros em ataques, em incursões e em toda espécie de combate; a fadiga das noites era ainda mais difícil a suportar, do que a do dia, porque eles passavam-na sem dormir, pelo temor contínuo em que os judeus viviam, de que lhes tomassem o muro de improviso, num assalto geral e pelo temor que os romanos tinham de que os judeus atacassem seu acampamento. Assim uns e outros, depois de ter passado toda a noite em armas, estavam prontos a recomeçar o combate quando raiava o dia. Jamais emulação foi maior que a que levava os judeus, à porfia, ao perigo, para agradar aos seus chefes, e particularmente a Simão, pelo qual todos os do seu partido tinham tanto amor, e tanto respeito que não havia um só, que não estivesse pronto a se matar se ele o ordenasse. Quanto aos romanos, que coragem não lhes dava a ocasião em que se encontravam de vencer sempre guerras quase perpétuas, seus contínuos exercícios, a grandeza de seu império e principalmente o fato de combaterem sob as vistas de tão grande general? Aquele admirável príncipe estava presente em toda a parte e não deixava os grandes serviços sem recompensa. Que covardia não teria sido mais vergonhosa e mais passível de castigo do que a de que ele fosse testemunha? Que outra vantagem poderia igualar à glória de se tornar digno dela, por atos extraordinários de valor e da estima daquele que, sendo já declarado César, seria um dia senhor do mundo? Haverá então motivo de nos admirarmos de que tantas considerações juntas, não levassem uma nação, já tão generosa por si mesma, a praticar ações que pareciam ir além das forças humanas?
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