Capítulo 8 – Vespasiano manda Tito, seu filho, sitiar Giscala, onde João, filho de Levi, originário dessa cidade, era chefe dos revoltosos.
Restava então somente Giscala, única cidade da Galiléia que ainda não tinha sido tomada. Uma parte daqueles que lá estavam, desejava a paz, porque quase todos eram trabalhadores, cujos bens consistiam em tudo o que podiam tirar do seu emprego e trabalho. Havia, porém, outros, em muito grande número e mesmo dos habitantes do lugar, que haviam sido corrompidos pelas suas relações com os ladrões e assaltantes, e João, filho de Levi, os impelia à revolta. Era um homem muito mau, grande mentiroso, inconstante em seus afetos e que não punha limites às suas esperanças; tudo fazia para conseguir os seus fins, e ninguém duvidava de que assim procedia pelo desejo de se elevar em autoridade, incitando com tanto ardor esta guerra. Todos os revoltosos obedeciam-lhe; embora o povo estivesse bastante disposto a tratar com os romanos, não podia, porém, fazê-lo pelo temor que tinha dos revoltosos.
Vespasiano ordenou a Tito que marchasse contra aquela praça com mil cavaleiros, mandou a décima legião a Citópolis e foi com as duas outras a Cesaréia, a fim de dar ocasião às suas tropas de descansar, depois de tantas fadigas e pô-las em condições de suportar o que lhes restava ainda a empreender, pois ele julgava que Jerusalém lhe daria ainda ocasião para isso, por ser a capital da Judéia extremamente forte e nada era mais difícil do que se apoderar de uma cidade defendida por um número tão grande de homens, como o que chegava de todas as partes e cujo extremo valor tornava difíceis de vencer, mesmo quando a força da praça não lhes aumentasse ainda a coragem. Assim, ele queria preparar seus soldados para tão grandes objetivos e tão perigosos combates, como se preparam atletas para as competições.
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