Capítulo 5 – O rei Agripa retorna ao seu reino, coloca no tesouro do Templo a cadeia de ouro que era uma lembrança de sua prisão e designa o novo sumo sacerdote. Irrita-se com a insolência dos dórios, que haviam colocado na sinagoga uma estátua do imperador.

Depois que esses editos, pelos quais o imperador Cláudio demonstrava tan­ta afeto pelo judeus, foram publicados e enviados a Alexandria e a todos os outros países sujeitos ao Império Romano, ele permitiu a Agripa, a quem havia cumulado de honras e benefícios, voltar ao seu reino, e entregou-lhe cartas de recomendação endereçadas aos governadores e aos intendentes das províncias. Logo que chegou a Jerusalém, Agripa cumpriu, com sacrifícios, os votos que fizera a Deus, obrigou os nazarenos a cortar o cabelo e realizou todas as outras coisas que a Lei determina.

Ele também mandou colocar no Templo, no lugar onde é guardado o di­nheiro consagrado a Deus, aquela cadeia de ouro com a qual o imperador Caio lhe presenteara e que era do mesmo peso do grilhão de ferro com que Tibério não tivera vergonha de prender suas mãos reais, a fim de que, estan­do expostas ao público, nelas se pudesse ver um ilustre exemplo das vicissitu-des da vida e saber que, quando elas privam os homens das honras que des­frutavam, Deus pode reerguê-los e restaurá-los, em uma prosperidade ainda maior. Não havia ninguém a quem essa cadeia assim consagrada não desse a conhecer que o príncipe, após ter sido posto na prisão por um motivo menor e contra o respeito devido a alguém de uma origem como a sua, dela não somente havia saído gloriosamente como também subira ao trono. Porque, assim como as potências mais elevadas caem fácil e repentinamente, as que estavam caídas erguem-se com mais glória, pela inconstância e pela revolução das coisas humanas.

Depois de cumprir todos os seus deveres para com Deus, o rei Agripa tirou o sumo sacerdócio de TeóFílon, filho de Anano, e entregou-a a Simão, cognominado Cantara, filho de Boeto, sumo sacerdote, cuja filha, como disse­mos, Herodes, o Grande, havia desposado. Simão tivera dois irmãos que tam­bém haviam sido sumos sacerdotes, e vimos que outrora, sob o reinado dos macedônios, a mesma coisa aconteceu aos três filhos de Simão, sumo sacerdote, filho de Onias, que foram sumos sacerdotes, como o pai.

Depois que Agripa dispôs tudo o que se referia ao supremo sacerdote, não quis deixar sem agradecimento o afeto que os habitantes de Jerusalém lhe havi­am demonstrado. E, para mostrar-lhes a sua generosidade, perdoou os impostos que cada família devia pagar e honrou Silas, que jamais o havia abandonado nas dificuldades, com o cargo de general de suas tropas.

Pouco tempo depois, alguns moços da Dórida, demonstrando a sua temeridade e insolência, atreveram-se, sob o pretexto de piedade, a colocar uma estátua do imperador da sinagoga. E, como nada poderia ser mais contrário e injurioso às nossas leis, Agripa ficou tão irritado que foi imediatamente procurar Petrônio, que tinha o comando do exército na Síria. O governador mostrou que estava não menos surpreendido que ele ante tão grande impiedade e escreveu aos que haviam tido a ousadia de cometê-la nos termos que se seguem.

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