Capítulo 33 – Os habitantes de Cesaréia matam vinte mil judeus que estavam em sua cidade. Os outros, para se vingar, fazem grandes depredações e os sírios, por seu lado, fazem o mesmo. Estado deplorável a que a Síria se encontra reduzida.
Aconteceu, com a permissão da providência de Deus, que, naquele mesmo dia e na mesma hora, os de Cesaréia atacaram os judeus, e dos vinte mil que moravam naquela cidade, não escapou um só, porque Floro mandou perseguir os fugitivos e prendê-los. Tão grande morticínio excitou tal furor à nação judaica, que eles devastaram todas as cidades e aldeias na fronteira da Síria, a saber: Filadélfia, Gebonite, Gerasa, Pella e Citópolis; tomaram de assalto Gadara, Hipoim, Gaulanite, destruíram umas, incendiaram outras e avançaram até Cedasa, que pertence aos tirios, Ptolemaida, Gaba, Cesaréia, sem que Sebaste e Ascalom fossem capazes de os deter. Incendiaram-na e destruíram Antedom e Gaza. Saquearam também várias aldeias da fronteira e mataram a todos os que puderam apanhar.
Os sírios, por seu lado, não causavam menor prejuízo às terras dos judeus e não matavam menos do que eles, massacrando todos os que se encontravam em suas cidades, quer pelo antigo ódio que lhes tinham, quer para tonar o perigo menor para si mesmos, diminuindo o número dos inimigos. A Síria por esse motivo ficou em estado deplorável; todas as cidades estavam expostas às desordens e às violências dos vários exércitos e por isso todos procuravam a salvação, derramando rios de sangue. Os dias passavam-se nesses atos tão desumanos, que as leis da guerra autorizam; o temor e o horror tornavam a noite ainda mais terrível que o dia. Embora parecesse que os sírios visassem expulsar os judeus, não podiam deixar de suspeitar das nações que tinham abraçado sua religião, mas não ousavam, entretanto, por uma simples suspeita, tratá-las como inimigas.
Por outro lado, a ambição tornava cruéis de ambos os lados àqueles mesmos que antes pareciam os mais moderados, porque eles consideravam como despo-jos e presas, que a vitória tornava legítimos, os bens daqueles que matavam; e assim os mais valentes se enriqueciam cada vez mais por estes meios tão odiosos e bárbaros. Viam-se, com horror, as cidades cheias de cadáveres de velhos, crianças e mulheres, nus e sem sepulturas. Por toda a parte, inacreditável miséria; e outras, ainda maiores, se temiam.
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