Capítulo 31 – Tito cerca toda Jerusalém com um muro que tinha treze fortes e toda essa grande obra foi feita em três dias.
Estavam as coisas nesse estado, quando Tito reuniu os seus conselheiros. Houve várias opiniões e idéias. Os mais ousados propuseram dar um assalto geral com todo o exército, que até então havia combatido separadamente, porque, atacando todos de uma vez, os judeus não poderiam resistir a tão grandes forças e ficariam esmagados sob dardos e flechas. Os mais prudentes propuseram, ao contrário, para se agir com segurança, erguer novas plataformas; outros disseram que seria inútil encetar os mesmos trabalhos, porque sem atacar, seria impossível vencer homens que a fome mais temível que as armas, reduzia a tal desespero, que eles nada mais desejavam do que a morte. Tito depois de ter escutado suas razões não julgou que era coisa digna de tão grande exército, como o seu, ficar sem ação. Ele achava, além disso, inútil combater contra homens que se destruíam a si mesmos e via por outro lado que era quase impossível erguer outras plataformas, por falta de material. Achavam muitas dificuldades em impedir os ataques dos judeus, porque a volta da cidade era muito grande e de mui difícil acesso, em vários lugares, que por mais forte que fosse seu exército não era bastante para rodeá-la completamente. E quando mesmo pudesse fazê-lo e fechasse assim as estradas principais, os judeus não deixariam de atacá-los, por outros caminhos mais escondidos, que só eles conheciam ou que a necessidade os faria encontrar. Se eles fizessem entrar alimento na cidade, secretamente, o cerco se prolongaria indefinidamente, o atraso em tomar a praça diminuiria de muito a glória dos romanos e assim, para conservar a fama do império, apertando o cerco e ao mesmo tempo cuidando da segurança dos soldados, ele era de opinião que se construísse um muro em todo o perímetro da cidade e desse modo os judeus, estando encerrados dentro das muralhas e não podendo esperar mais salvação, seriam obrigados a se entregar, ou reduzidos pela fome a tal estado, que poderiam ser atacados sem dificuldades, ao passo que, do contrário, eles estariam sempre prontos a resistir. Mas acrescentou que não deixaria de dar ordem para que se recomeçassem os trabalhos, do qual aqueles que ainda restavam, embora mais fracos, eram capazes de reter os ataques do inimigo. Se a dificuldade de tão grande empreendimento, como a construção daquele muro, causava espanto a alguns, eles deviam considerar que as coisas fáceis não são dignas dos romanos e que os grandes feitos exigem grandes trabalhos e que só pertence a Deus fazer sem dificuldade o que parece impossível aos homens.
O grande príncipe assim falou e todos se mostraram de acordo com ele. Ordenou então que dividissem os trabalhos por todas as tropas, viu-se em seguida em todo o exército uma grande emulação, que parecia ter algo de sobrenatural, porque depois que as incumbências foram distribuídas entre todas as legiões, não somente os que as comandavam, mas todos os que a compunham, trabalhavam sem descanso com incrível ardor; os simples soldados, para serem louvados por seus sargentos, os sargentos por seus oficiais, os oficiais por seus tribunos e os tribunos por aqueles que os comandavam. Tito era continuamente o juiz de tão nobre emulação, pois não se passava um dia sem que ele não visitasse diversas vezes todas as obras.
O muro começava no acampamento dos assírios, onde ele tinha estabelecido o seu acampamento; continuava até a nova cidade baixa e depois de ter atravessado o vale de Cedrom chegava até o monte das Oliveiras, que rodeava do lado do sul, até a rocha do pombal, como também a colina que estava acima do vale de Siloé, de onde, voltando-se para o oriente, descia por aquele vale, onde está a fonte de que tem o nome. De lá alcançava o sepulcro do sumo sacerdote Anano, rodeava o monte onde Pompeu outrora havia acampado, voltava-se em seguida para o norte, chegava até a aldeia de Erebitom, cercava o sepulcro de Herodes, do lado do oriente, e de lá voltava ao lugar onde havia começado. Todo esse circuito media trinta e nove estádios e havia treze fortes, cuja torre era de dez estádios; mas o que parece incrível, e que é digno dos romanos, é que essa grande obra que teria levado aparentemente três meses para sua execução, foi começada e terminada em apenas três dias. A cidade estava pois assim rodeada e cercada; colocaram-se então tropas nas torres, as quais passavam a noite toda em armas. Tito, por primeiro, fazia a primeira ronda, Tibério Alexandre, a segunda, e os que comandavam as legiões, a terceira. Os soldados dormiam uns depois dos outros.
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