Capítulo 22 – Horríveis crueldades e loucuras do imperador Nero. Félix, governador da Judéia, faz guerra aos ladrões que a devastavam.

Quando Nero se viu guindado ao ápice do poder, num cúmulo de prospe­ridade, abusou de tal modo de sua fortuna, que eu não poderia fazer uma descrição fiel de suas ações sem causar horror. Assim, contentar-me-ei em dizer, em geral, que ele chegou a um espantoso excesso de crueldade e de loucura, que manchou suas mãos no sangue de seu irmão, de sua mulher, de sua própria mãe e de outras pesso­as parentes e amigos; vangloriava-se de comparecer no teatro, no meio dos comedi­antes e dos palhaços. Eu não poderia deixar de referir em particular o que ele fez, com relação aos judeus, pois a continuação de minha história a isso me obriga.

1 Ele deu a Aristóbulo, filho de Herodes, rei da Cálcida, o reino da peque­na Armênia e acrescentou ao de Agripa, quatro cidades, com seus territórios: Abila e Julíada, na Peréia, e Tariquéia e Tiberíades, na Galiléia; e constituiu, como já dissemos, Félix, governador do restante da Judéia. Ele apenas tomou posse do cargo, fez guerra aos ladrões que devastavam todo o país há vinte anos, prendeu Eleazar, seu chefe, e vários outros, que mandou presos à Roma, além de mandar matar um número incrível de outros ladrões.

Comentários

Tão vazio aqui... deixe um comentário!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Barra lateral