Capítulo 2 – Baaná e Recabe assassinam o rei Isbosete e levam a sua cabeça a Davi, que, em vez de recompensá-los, os manda matar. Todas as tribos reconhecem Davi como rei. Ele reúne as suas forças e toma Jerusalém. Joabe sobe por primeiro à muralha aberta.

2 Samuel 4. Isbosete ficou extremamente aflito com a morte de Abner porque, além de ser um parente muito próximo, devia a ele o fato de ter sucedi­do ao pai no governo. Mas ele também não viveu muito tempo depois de sua morte. Baaná e Recabe, filhos de Rimom, dois dos principais da tribo de Benjamim, assassinaram-no no leito, julgando que estavam prestando um grande serviço a Davi e que assim conquistariam um cargo elevado. Aproveitaram o momento em que ele dormia a sesta, pelo meio-dia, por causa do calor, estando os guardas também adormecidos. Então cortaram-lhe a cabeça e partiram apressadamente, como se fossem perseguidos, para levá-la a Davi.

Relataram a Davi o que haviam feito, enaltecendo a importância do serviço que a ele prestavam, pois haviam eliminado aquele que lhe disputava o reino. Em vez da recompensa que esperavam, porém, receberam esta terrível resposta, proferida com cólera: “Celerados que sois, sereis imediatamente castigados segundo a gravidade de vosso crime. Ignorais, talvez, o modo como tratei aquele que disse ter matado Saul e me trouxe a sua coroa? Ou julgais que mudei tanto de caráter que agora estime os maus e considere um favor que vos deva agradecer o crime que acabais de cometer contra o vosso senhor? Covardes e ingratos! Não tendes horror em matar no próprio leito um príncipe que jamais fez mal a alguém e que ainda vos agraciou com tantos benefícios? Mas eu vos castigarei como merece a vossa perfídia e pela ofensa que me fizestes, julgando-me capaz de aprovar e mesmo de me regozijar com tão detestável ação”. Davi, depois de assim falar, mandou que os matassem de modo cruel e orde­nou magníficos funerais a Isbosete, colocando a cabeça dele no sepulcro de Abner.

2 Samuel 5. Logo depois, todos os chefes dos israelitas e os oficiais do exército vieram procurar esse generoso príncipe em Hebrom para prometer-lhe fidelidade como rei. Lembraram-lhe os serviços que lhes havia prestado, mesmo durante a vida de Saul, e o respeito com o qual o obedeciam quando comandava parte das tropas desse príncipe. Acrescentaram que havia muito tempo sabiam que Deus declarara pelo profeta Samuel que ele e seus filhos depois dele reinariam sobre o povo e que ele subjugaria os filisteus. Davi demonstrou muita satisfação pela boa vontade deles, exortou-os a continuar e garantiu que não lhes daria ja­mais motivo para se arrependerem. Deu-lhes depois um grande banquete e, após externar todo o afeto que poderiam desejar, despediu-os com ordem de trazerem a Hebrom, de cada tribo, todos os que estavam armados e em condições de servir.

7 Crônicas 12. Em cumprimento a essa ordem, vieram a Hebrom seis mil e oitocentos homens da tribo de Judá, armados com lanças e escudos. Eles per­tenciam ao partido de Isbosete e não contavam entre os da mesma tribo que haviam escolhido Davi como rei.

Da tribo de Simeão, vieram sete mil e cem homens, comandados por Jodã, com os quais estava Zadoque, o sumo sacerdote, e vinte e dois de seus parentes. Da tribo de Benjamim, três mil homens somente, porque ela sempre esperava que alguém da família de Saul viesse a reinar. Da tribo de Efraim, vinte mil e oitocentos homens, muito robustos e valentes. Da metade da tribo de Manasses, dezoito mil homens. Da tribo de Issacar, vinte mil homens e com eles duzentos homens que adivinhavam as coisas futuras. Da tribo de Zebulom, cinqüenta mil homens, todos escolhidos dentre a elite, pois essa tribo foi a única que passou completa para o lado de Davi, e estavam armados como os da tribo de Gade. Da tribo de Naftali, mil homens escolhidos, todos armados com escudos e dardos, seguidos por uma multidão enorme de soldados menos importantes. Da tribo de Dã, vinte e oito mil e seiscentos homens, todos escolhidos. Da tribo de Aser, quarenta mil homens. E das tribos de Rúben e de Gade e da outra metade da tribo de Manasses, que estavam do outro lado do Jordão, cento e vinte mil ho­mens, todos armados com dardos, escudos, capacetes e espadas.

Essas foram as tropas que vieram encontrar-se com Davi em Hebrom, trazendo consigo grande quantidade de munições de guerra e de boca. Todos, de comum acordo, declararam Davi como rei. Depois de passarem três dias em festas e banquetes públicos, marcharam todos para Jerusalém. Os jebuseus, que a habitavam e eram descendentes dos cananeus, vendo-os aproximar-se, fecha­ram as portas e, para mostrar o seu desprezo, colocaram sobre os muros da cidade somente os cegos, os coxos e outros aleijados, dizendo que eram sufici­entes para defendê-la, de tanto que confiavam nas suas fortificações.

Davi, irritado com tanta insolência, resolveu atacá-los com a máxima energia, a fim de pela tomada dessa cidade incutir o terror em todas as outras que lhe quises­sem fazer resistência. Ele apoderou-se da cidade baixa, mas era muito difícil tomar a fortaleza. Para animar os seus homens a empregar o máximo de esforço, prome­teu recompensas e honras aos que mais se distinguissem pela coragem e o cargo de general ao comandante que por primeiro subisse as muralhas. O desejo de conquistar tão grande honra levou-os a fazer de tudo para merecê-la. Mas Joabe a todos sobrepujou e pediu então ao rei em alta voz que cumprisse a promessa.

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