Capítulo 2 – Antípatro, idumeu, persuade Hircano a fugir e se refugiar junto de Aretas, rei dos árabes, que promete restaurá-lo no trono da judéia.

Um idumeu, de nome Antípatro, muito rico, empreendedor e hábil, era amicíssimo de Hircano e inimigo de Aristobulo. Nicoiau de Damasco fá-lo descender de uma das principais famílias dos judeus que vieram da Babilônia para a Judéia, mas ele o diz em favor de Herodes, seu filho, que a fortuna elevou depois ao trono de nossos reis, como veremos a seu tempo. Antes não o chamavam Antípatro, mas Antipas, como o seu pai, que, tendo sido feito pelo rei Alexandre e pela rainha sua esposa governador de toda a Iduméia, contraiu amizade com os árabes, os gazeenses e os ascalonitas, conquistando o afeto deles por meio de grandes presentes.

O poder de Aristobulo tornou-se suspeito a Antípatro, que já o temia, por causa da inimizade que havia entre eles, e assim, secretamente, fez-lhe todo o mal que pôde ante os judeus mais ilustres, dizendo não haver motivos para se permitir que ele usurpasse o trono que pertencia por direito a Hircano, que era o irmão mais velho. Não se contentava em dizer a mesma coisa a Hircano, mas acrescentava que a vida deste não estaria segura se não se retirasse imediata­mente, porque os amigos de Aristobulo não perderiam a oportunidade de matá-lo, para consolidar aquela injusta autoridade. Como Hircano era naturalmente bom e não dava facilmente crédito a suspeitas, essas palavras não o persuadiram. A sua afabilidade e o seu amor pela paz e pela tranqüilidade faziam-no julgar aquilo uma simples suposição. Aristobulo, ao contrário, era muito inteligente, corajoso, hábil, empreendedor e capaz de realizar grandes feitos.

Antípatro não se zangou por ver que Hircano não o escutava. Continuou a falar-lhe, insistindo em dizer-lhe que Aristobulo tinha intenção de lhe tirar a vida. Com muita dificuldade, levou-o a decidir-se por fugir para junto do rei Aretas, soberano dos árabes. Fez-lhe ver que essa retirada seria facílima, porque a Arábia está perto da Judéia, e prometeu-lhe ajudá-lo o mais possível. Foi depois falar com Aretas, da parte de Hircano, para obter a sua palavra de que não o entregaria ao inimigo. Após obter tal promessa, com juramento, voltou a Jerusalém para falar com Hircano. E, certa noite, alguns dias depois, levou-o em marcha forçada até a cidade de Petra, onde o rei dos árabes tinha a sua corte. Como Antípatro desfrutava grande estima junto dele, rogou-lhe com tanta insistência que restaurasse Hircano no reino da Judéia e deu-lhe tantos presentes que por fim o persuadiu. Hircano, por sua vez, prometeu-lhe em paga, se fosse restaurado no trono da Judéia, entregar-lhe o país e as doze cidades que o rei Alexandre, seu pai, havia tomado dos árabes, isto é, Medeba, Nabalo, Lívias, Tarabaza, Agala, Atom, Zoara, Oroné, Maressa, Rida, Lussa e Oriba.

Comentários

Tão vazio aqui... deixe um comentário!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Barra lateral