Capítulo 16 – Tito chega a Roma e é recebido com o mesmo júbilo que o imperador Vespasiano, seu pai. Juntos festejam o triunfo. Começo dos festejos.
Com vento favorável Tito chegou a Roma bem depressa e foi recebido do mesmo modo que Vespasiano, seu pai, mas com um acréscimo de honra, que aquele admirável pai quis mesmo dar ao filho, indo em pessoa ao seu encontro. Sua amizade bem como a de Domiciano causava grande alegria ao povo, porque parecia, em tudo, haver algo de sobrenatural.
Alguns dias depois Vespasiano e Tito determinaram que seria um só o triunfo para ambos, embora o Senado tivesse determinado um para cada um, em particular. O dia de pompa tão soberba chegou e não houve uma só pessoa naquela infinita multidão de povo, que enchia toda Roma, que não quisesse presenciá-la. A massa popular era tão grande que não havia mais lugar para a passagem dos imperadores. Todos os soldados, com os comandantes à frente, marchavam em ordem; dirigiram-se antes do despontar do dia para diante das portas, não do palácio alto, mas do de ísis, onde os soberanos haviam passado a noite. O dia apenas começava a despontar, quando eles saíram coroados de louros, vestidos de púrpura para se dirigir a Roma Otávia, onde o Senado incorporado, os maiores senhores do império e os cavaleiros romanos, os esperavam. Havia perto de um grande pórtico um trono elevado, onde estavam assentos de marfim; depois que os dois imperadores se sentaram, coroados da maneira como dissemos, vestidos somente de mantos de seda e sem armas, todos os soldados os aclamaram pelos seus grandes feitos, como testemunhas que haviam sido, atribuindo tudo o que fora realizado à sua virtude. Vespasiano, vendo que eles não cessavam de aclamá-lo, por modéstia, impôs-lhes silêncio. Levantou-se e cobrindo a cabeça com uma parte do pano de seu manto fez as orações e os votos de praxe. Tito fez o mesmo depois dele. Vespasiano em seguida falou a todos em geral, em poucas palavras e mandou os soldados para os banquetes que lhes estavam preparados segundo o costume. De lá seguiu, acompanhado por Tito, para a porta triunfal. Assim ela é chamada, porque somente por ela passa o cortejo dos triunfos. Os triunfadores, depois de ali ter tomado a refeição, revestem-se dos trajes de triunfo, oferecem sacrifícios aos deuses, cujas estátuas estão colocadas sobre essa porta e por ali passam, para os lugares destinados aos espetáculos públicos, a fim de que o povo possa mais facilmente ver a magnificência dessas pompas soberbas.
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