Capítulo 1 – O rei Herodes estabelece uma lei que o faz ser tido como tirano. Vai a Roma e traz de volta Alexandre e Aristóbulo, seus filhos. Salomé, sua irmã, e seus partidários procuram torná-los odiosos a ele.

Como o rei Herodes estava persuadido de que um de seus principais cui­dados no governo de seu território era impedir que se fizessem injustiças aos par­ticulares, tanto em Jerusalém quanto nos campos, ele ordenou, por uma nova lei, que aquele que furasse a parede para entrar numa casa seria tratado como escravo e vendido fora do reino. Não o fazia, no entanto, para punir o crime, mas para abolir um costume observado havia muito tempo entre nós e se colocar assim acima das leis.

Um castigo tão severo como o de viver escravo em terras estrangeiras, cuja maneira de viver é muito diferente da nossa, muito mais fere a religião que mantém a justiça, e as nossas antigas leis já haviam provido o suficiente quanto a isso, ordenando que aqueles que possuíam riquezas pagassem o quádruplo do que haviam roubado. Os que não tivessem seriam vendidos como escravos. Como, porém, as leis só permitiam que fossem vendidos aos de sua própria nação, a servidão não seria perpétua, porque no sétimo ano eles recobravam a liberdade. Assim, essa lei foi tida como muito injusta e considerada tirânica, porque o soberano, por um orgulho insuportável, julga­va que lhe era permitido calcar aos pés as leis do reino e criar novas penas. Todos se queixavam em alta voz. Esse fato suscitou contra ele um ódio tal que não era possível dissimulá-lo.

Ele foi nessa mesma ocasião a Roma para visitar o imperador e ver os filhos, que lá se educavam e que já estavam suficientemente instruídos nas letras.

Augusto recebeu-o com grandes demonstrações de honra e amizade e os entre­gou para que fossem trazidos de volta ao seu país. Os judeus receberam-nos com muita alegria, porque eles eram muito belos e de porte elegante. Tudo neles demonstrava majestade real.

Esse afeto do povo causou muita inveja a Salomé, irmã do rei, bem como a todos os que com ela haviam causado, por suas calúnias, o fim trágico de Mariana. Temiam eles que esses príncipes logo que fossem elevados ao trono quisessem vingar a morte de sua mãe e resolveram usar contra eles dos mesmos artifícios de que se haviam servido contra aquela inocente e infeliz princesa, a fim de obrigar o pai deles a renunciar o afeto que lhes devotava. Depois dessa deliberação, fizeram correr a notícia de que aqueles príncipes não o estimavam, porque ainda o imaginavam com as mãos tintas com o sangue de sua mãe. Não ousavam, no entanto, falar disso ao rei. Mas não duvidavam de que tal notícia logo chegaria aos seus ouvidos, e o ódio que suscitaria em seu coração contra os filhos sufoca­ria os sentimentos da ternura paternal.

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