Capítulo 17 – Combate singular entre um judeu chamado Jônatas e um cavaleiro romano de nome Pudente.

Nesse mesmo tempo um judeu chamado Jônatas, de pequena estatura, de má catadura e que era de baixa origem e de condição humilde, foi até o sepulcro do sumo sacerdote João e desafiou insolentemente os romanos a que mandassem o homem mais valente do exército para combater contra ele. Ninguém respondeu a tal desafio, porque alguns o desprezavam, outros o temiam e outros julgavam que era imprudência travar combate com um homem que só desejava a morte, porque ne­nhum furor igualava ao daqueles homens desesperados, que não temem nem a Deus nem aos homens e isso é mais temeridade que valor, brutalidade que generosidade, arriscar-se contra aqueles que não têm honra alguma para reivindicar e que não se pode sem grande vergonha ser por ele vencido. Isso durou algum tempo, mas o judeu não deixava de censurar os romanos, injuriando-os, chamando-os de covardes, com termos ainda mais ofensivos; então um cavaleiro romano de nome Pudente, que era muito orgulhoso, não pôde tolerar mais. Como há motivo de se julgar, vendo-o tão pequeno, desprezou-o e marchou inconsideradamente contra ele. A sorte não lhe foi menos contrária do que sua imprudência. Ele caiu e Jônatas matou-o facilmente. Não se contentou de obter sem perigo tal vantagem, pisou-lhe o corpo; tinha na mão a espada molhada ainda em seu sangue e na esquerda, seu escudo, que ele fazia ressoar com o tinir de suas armas, insultando ainda a infelicidade do morto e continuando a tratar injuriosamente os romanos. Então um oficial chamado Prisco, não podendo tolerar tanta insolência, atirou-lhe uma flecha, que o atravessou de lado a lado. Ergueu-se imediatamente um grande clamor do lado dos romanos e do lado dos judeus, mas causado por sentimentos diferentes; a dor de tão grande ferida fez Jônatas cair e mor­rer sobre o corpo de seu inimigo, justo castigo, por se ter vangloriado com uma vanta­gem que não era devida ao seu valor, mas ao acaso.

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