Capítulo 10 – Tito não podendo se decidir a incendiar o Templo, de que João e os do seu partido se serviam como de uma fortaleza e lá cometiam mil sacrilégios, fala-lhes para exortá-los a não obrigá-lo a isso, mas inutilmente.

Tito veio a saber disso que acabo de relatar e mandou regressar de Gofna aqueles judeus que para lá havia mandado e os fez dar volta à cidade com Josefo, para que o povo pudesse vê-los. Assim, sabendo que tinham sido enganados, mui­tos outros conseguiram fugir para ele, e todos juntos pediram aos revoltosos com suspiros e lágrimas que salvassem sua pátria, recebendo os romanos na cidade ou pelo menos que saíssem do Templo, para impedir que eles o incendiassem, o que eles fariam obrigados pela força. Mas aqueles celerados, mais furiosos que nunca, só lhes responderam com injúrias e puseram nas portas sagradas do Templo todas as máquinas de que se serviam para atirar dardos e pedras. Assim tomar-se-ia aquele lugar santo por uma fortaleza que não por um Templo e a praça que estava diante dele podia passar por um cemitério, tantos eram os mortos que ali jaziam. Eles não somente entravam com armas naquele lugar sagrado, que lhes deveria ser inacessí­vel, mas entravam mesmo quando tinham as mãos manchadas de sangue de seus concidadãos e chegaram a tal excesso de furor e de impiedade que os romanos não sentiam menos horror em vê-los cometer tais sacrilégios, contra o que sua religião os obrigava a respeitar ainda mais, tanto que eles deveriam sentir o coração partido de dor, se os romanos tivessem agido do mesmo modo, pois não havia um só no exér­cito de Tito que não contemplasse o Templo com respeito, que não adorasse o Deus ao qual ele era consagrado e que não desejasse que aqueles malvados que o profa­navam de tão horrível maneira, se arrependessem antes que a ruína, de que estava ameaçado, fosse irremediável. Tito ficou possuído de tão viva dor que, dirigindo ele mesmo sua palavra a João e aos seus companheiros, disse-lhes: “ímpios que sois, não foram os vossos antepassados que rodearam esse lugar sagrado de balaustradas, a fim de impedir que dele nos aproximássemos? Não foram eles que mandaram gra­var em colunas, em caracteres gregos e romanos, proibições de passar além desse limite? Não vos permiti eu que fizésseis morrer aqueles que tinham a ousadia de violar essas ordens, mesmo que fossem romanos? Que raiva vos leva pois a profanar esse Templo, não somente com o sangue dos estrangeiros, mas dos de vossa mesma nação e a vos vangloriardes de calcar aos pés os corpos daqueles que massacrais? Tomo aos deuses como testemunhas, aos deuses aos quais adoro e aquele que ou-trora conTemplou este Templo com vistas favoráveis, digo outrora, pois não creio que haja atualmente uma só divindade que dele não afaste os olhos. Tomo como testemunha todo meu exército, todos os judeus que se refugiaram junto de mim e tomo-vos a vós mesmos como testemunhas, de que não tenho parte alguma nessa profanação, e que se quereis sair desse lugar sagrado, nenhum romano se há de aproximar do santuário nem cometerá a menor insolência, mesmo contra vossa vontade, eu conservarei esse célebre Templo”.

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